“Não podemos ter postura arrogante”, diz Padilha sobre médicos cubanos
04/09/2013 - 18:25 • Atualizado em 04/09/2013 - 18:49

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu, na comissão geral sobre o programa Mais Médicos, a contratação de cubanos pelo governo federal. Segundo ele, os profissionais que atuarão em municípios do interior do País têm alta formação, além de anos de experiência.
“Não podemos ter uma postura arrogante, ou seja, dizer que não são pessoas muito qualificadas. Temos de separar uma postura ideológica de crítica a Cuba, que é legítima, de um programa que garante uma alternativa para milhões de brasileiros que hoje não têm acesso a qualquer médico”, argumentou.
De acordo com Alexandre Padilha, os médicos cubanos trabalharão em 701 cidades que não foram escolhidas por nenhum médico brasileiro ou estrangeiro que se inscreveram no programa. “Mais de 12 milhões de pessoas moram nesses municípios, que hoje não têm nenhum médico”, alertou o ministro.
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, afirmou que a existência de mais de 700 municípios brasileiros sem médicos justifica a urgência e a relevância da medida provisória (MP 621/13) que criou o Mais Médicos e está em análise na Câmara. Adams ressaltou ainda que até agora não houve decisão da Justiça prejudicial ao programa. "Nenhuma das 53 ações apresentadas ao Judiciário resultou em uma ordem judicial que suspendesse a decisão do governo.”
Risco
O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital Corrêa Lima, é da opinião que, com o Mais Médicos, o governo federal “expõe a população brasileira a médicos sem formação adequada”. Em sua avaliação, o governo precisaria revalidar os diplomas dos médicos que pretendem atuar no País para garantir uma qualidade mínima no atendimento. “Da forma como está, o programa coloca a população em um dilema: aceite este médico sem formação ou continue doente”, afirmou.
Conforme o programa, os médicos formados no exterior não precisam revalidar seus diplomas, mas terão um registro provisório válido por três anos para atuar em regiões específicas na atenção básica à saúde.
Da Reportagem/NA