Segurança

Delegados apontam omissão e falhas na segurança da boate Kiss

04/04/2013 - 15:26  

Zeca Ribeiro
Delegado de polícia de Santa Maria/RS; Marcelo Mendes Arigony
O delegado Marcelo Arigony (microfone) disse ter se frustado com as denúnicas apresentadas pelo MP

Delegados responsáveis pela investigação do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), apresentaram aos deputados da comissão especial que analisa as causas da tragédia um vídeo, gravado por um dos jovens que perdeu a vida na casa noturna, que mostra o fogo causando pânico e caos em apenas 40 segundos. Dois dos cinco titulares da investigação policial foram ouvidos na Câmara nesta quarta-feira (4).

Os delegados relataram várias falhas de segurança da boate como a colocação inadequada de espuma para vedação do som e a falta de saídas de emergência e de sinalização. Também relacionaram uma série de omissões de órgãos públicos, que acabaram permitindo que a casa noturna estivesse aberta, mesmo com irregularidades.

Vários momentos da audiência foram tensos, porque o sub-relator da comissão, deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) pressionou os delegados por explicações sobre os critérios usados na investigação. “Quem vai levar a pior são os proprietários e ninguém da área técnica”, afirmou.

Denúncia
Nesta semana, o Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou oito pessoas, entre eles os dois donos da boate e outros dois músicos por homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar. A Polícia Civil havia indiciado 16 pessoas. Os delegados disseram respeitar a decisão dos promotores, mas que ficaram frustrados porque nenhuma autoridade ou servidor público foi apontado como responsável pela tragédia.

“Concordo que não devam ser responsabilizadas só quatro pessoas. Desde o início falamos que há dois núcleos de responsabilidade: os diretamente envolvidos com o incêndio e um mais grave: o envolvido com alvarás”, afirmou o delegado Marcelo Arigony.

O Ministério Público pediu mais investigações sobre possíveis indícios de culpa dos seguranças, de duas sócias da boate e de dois integrantes da Prefeitura de Santa Maria.

Trabalhos
Na próxima quarta-feira (10) a comissão especial que investiga as causas da tragédia na boate em Santa Maria vai debater a obrigatoriedade de seguro para locais que concentram grande quantidade de pessoas, como forma de forçar a haver mais segurança. A ideia é colher sugestões para melhorar as leis atuais.

“O Brasil vai sair com uma legislação muito melhor do que a que tem hoje, que é muito falha. Em Santa Maria houve uma cadeia de erros e não podemos permitir que ocorram mais”, explicou o coordenador da comissão especial, deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Os parlamentares também querem ouvir o representante do Ministério Público que firmou acordo com a boate sobre uma reforma para conter o barulho semanas antes da tragédia.

Reportagem - Ginny Morais
Edição – Rachel Librelon

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