Política e Administração Pública

Relatório pede que Delta e outras 116 empresas sejam investigadas

21/11/2012 - 20:10  

Arquivo/ Reinaldo Ferrigno
Onyx Lorenzoni
Lorenzoni: comissão não quebrou o sigilo de possíveis laranjas da Delta fora do Centro-Oeste.

A Construtora Delta, suas filiais e outras 116 empresas são apontadas de terem cometido crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de crimes contra a ordem tributária e econômica e ilícitos administrativos e tributários.

As indicações estão no relatório final, apresentado nesta quarta-feira (21), do deputado Odair Cunha (PT-MG) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira,. O texto pede a investigação das empresas pela Receita Federal, Ministério Público, Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e Tribunal de Contas da União (TCU). De acordo com o parecer, os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pela comissão deverão ser remetidos a esses órgãos. Conforme o texto, as companhias chegaram a movimentar R$ 84 bilhões.

Áreas de atuação
O relatório afirma que o esquema comandado por Cachoeira trabalhava com empresas em três áreas distintas, como vértices de um triângulo:
- atividades ilegais, nas quais estão as corporações de jogos e factoring;
- atividades legais, em que aparecem companhias farmacêuticas e de mídia relacionadas ao grupo de Cachoeira;
- empresas fantasmas e mundo político, área que engloba a relação das empresas de fachada que recebiam recursos da Delta e de outras companhias.

Conforme o texto, a relação da Delta com o grupo de Cachoeira era limitada à região Centro-Oeste, com destaque para Goiás. A única exceção, afirma Odair Cunha em seu relatório, é Tocantins, onde o contraventor teria se associado à Construtora Rio Tocantins (CRT), de modo similar ao que ocorreu com a Delta.

Para o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), a CPMI fechou a investigação a empresas no Distrito Federal e Goiás e não votou requerimentos para quebrar sigilo de outras possíveis laranjas da Delta em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, em um total de recursos desviados de até R$ 550 milhões. “Curiosamente, o relator apresenta a proposta que o Ministério Público investigue aquilo que ele, por três meses, se negou a fazer na CPMI”, sustentou. A votação da quebra dos sigilos de empresas ligadas a Cachoeira foi adiada na última reunião da comissão.

Transferir responsabilidade
De acordo com o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não houve investigação nas empresas indiciadas pelo relator e a CPMI transfere, com o relatório final, a responsabilidade para o Ministério Público. “A Polícia Federal investigou no eixo Goiás-Tocantins e cabia à comissão investigar além desse eixo. O próprio relator enumerou 116 empresas suspeitas e não houve investigação em nenhuma delas. A CPMI não cumpriu o seu dever”, criticou.

Segundo o relator, o trabalho da comissão está indo além da quebra de sigilo de 15 empresas, como queriam alguns integrantes do colegiado, ao remeter para os órgãos permanentes de investigação o pedido para analisar 117 empresas.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Marcelo Oliveira

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