Política e Administração Pública

Relator diz que Gurgel foi omisso; oposição fala em perseguição política

21/11/2012 - 20:17  

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deve ser investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), de acordo com o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG). O relatório final foi apresentado nesta quarta-feira (21).

Lúcio Bernardo Jr
Dep. Odair Cunha (relator)
Odair Cunha criticou Gurgel por ter suspendido as investigações em 2009.

Segundo Cunha, o procurador-geral foi omisso por não ter dado prosseguimento às investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal. “O que ele chamou de ação controlada, na verdade, foi inação. Qualquer membro do Ministério Público precisa efetivamente fazer alguma coisa, não pode não fazer nada”, afirmou.

No relatório, Cunha diz que Gurgel suspendeu "sem justificativa" as investigações da operação, iniciada em 2009, que apontou os primeiros indícios de ligação do contraventor com parlamentares, entre eles o senador cassado Demóstenes Torres.

O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) afirmou que o pedido de investigação de Gurgel foi feito por uma agenda partidária para perseguir o procurador-geral. “Vamos denunciar um jornalista e o procurador-geral da República porque estão incomodando um partido político”, disse, em referência também ao jornalista da revista Veja e chefe da sucursal de Brasília, Policarpo Júnior, indiciado no relatório final.

Decisão acertada
Gurgel enviou em maio uma explicação por não ter remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) os autos da Operação Vegas. Gurgel afirmou que tomou a decisão acertada, em 2009, para retomar as interceptações telefônicas e a investigação pela Polícia Federal.

Segundo ele, se não tivesse impedido a abertura do inquérito, não teria sido desvendado o esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira, que compreendia não somente a exploração de jogos de azar, mas também fraudes em licitação, corrupção de servidores, lavagem de dinheiro, entre outros delitos de acentuada gravidade.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Marcelo Oliveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'.