Educação, cultura e esportes

Para dirigentes, fixar índice de qualidade na porta das escolas estigmatiza alunos

10/05/2012 - 12:36  

A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Rodrigues Repulho, afirmou há pouco que fixar na porta da escola o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é “cruel” e ajuda a estigmatizar os alunos. “Isso é carimbar na testa das crianças que elas são pobres, negras, vivem em lugares distantes e ainda estudam na pior escola”, opinou.

As declarações foram dadas na audiência pública da Comissão de Educação e Cultura sobre o Projeto de Lei 1530/11, que obriga as escolas de ensino básico a divulgar o seu Ideb em placas afixadas na porta dos estabelecimentos.

Segundo a debatedora, a iniciativa também vai fazer com que os professores não queiram trabalhar nas escolas com índices ruins. “E o que vamos fazer nesses casos?”, questionou. Ela defende a divulgação livre do índice pelos estabelecimentos, seja na reunião de pais ou em cartazes na escola.

Rótulo
“Você gostaria de ver a escola onde você estuda ou trabalha aparecer no Jornal Nacional como a pior escola do município?”, questionou o representante do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed), Claudio Cavalcanti Ribeiro. Ele acredita que a qualidade da educação não pode ser tratada de forma “panfletária”, como, na sua visão, faz o projeto de lei.

Ribeiro, que também é secretário de Educação do Pará, lembra que o contexto socioeconômico em que a escola está inserida não é levado em conta no Ideb. “Temos alunos no Pará que passam três horas e meia para chegar à sala de aula e três horas e meia para voltar”, destacou. Para ele, o que deve ser discutido, neste momento, é a questão do financiamento da educação pública do País.

A audiência ocorre no Plenário 10.

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Reportagem – Lara Haje
Edição – Daniella Cronemberger

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