Militante quer mobilização social para garantir avanços nos direitos humanos
10/04/2012 - 17:24
O coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Gilson Cardoso, afirmou há pouco que sem a mobilização da sociedade organizada não será possível avançar na democracia e na luta por direitos humanos no Brasil.
Ele disse que uma das tarefas da democracia é abrir os arquivos sejam eles quais forem para que a justiça seja feita, não como vingança, mas como reparação. Ele ressaltou que a divida que o Estado tem como os brasileiros é esclarecer onde foram mortos os desaparecidos durante a ditadura militar (1964 a 1985), quem ordenou suas mortes e por quê motivo.
Gilson participa reunião da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça, ligada à Comissão de Direitos Humanos e Minorias, destinada a levantar propostas de cooperação no resgate da memória histórica sobre as violações de direitos humanos com motivação política entre 1946 e 1988.
Operações limpeza
Já o diretor tesoureiro da Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia, Sezostrys Alves da Costa, sugeriu que a comissão investigue as “operações limpeza” que foi iniciada em 1975, após o fim da guerrilha, e que, segundo a associação tem notícia, teve continuidade até a década de 1990. Essas operações tinham como objetivo retirar os vestígios da guerrilha, impossibilitando a reconstituição dos episódios e das circunstâncias sobre a morte dos guerrilheiros.
Ele disse que a associação possui dezenas de relatos que contam sobre a presença do Major Curió, que comandou a repressão à guerrilha, e de outros integrantes do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão subordinado ao Exército, e do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) participando dessas operações limpeza.
Segundo Sezostrys, essas operações têm sido obstáculo para os trabalhos de campo que vêm sendo feitos pela Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia.
Reportagem - Renata Tôrres/Rádio Câmara
Edição - Newton Araújo