Debatedores defendem maior conscientização no uso de sacolas plásticas
28/03/2012 - 16:43

Os participantes da audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara sobre a disponibilização de sacolas plásticas nos supermercados concordam que é preciso conscientizar o consumidor para o uso das sacolas e para a sua reutilização. A divergência ocorre quando a questão é se as sacolas prejudicam o meio ambiente ou não.
No debate realizado nesta quarta-feira, solicitado pelos deputados Adrian (PMDB-RJ) e João Arruda (PMDB-PR), o representante do Ministério do Meio Ambiente, Aldenir Paraguassu, disse que as sacolas prejudicam o meio ambiente e devem ter seu consumo reduzido. Ele afirmou que as campanhas do governo conseguiram reduzir o consumo em 33%.
“Se considerarmos que o padrão dos bueiros urbanos brasileiros corresponde a duas sacolas plásticas, podemos chegar a uma conclusão quase óbvia, mas forçada, de que evitamos que 2,5 bilhões de bueiros fiquem entupidos”, disse, ao comentar a redução no uso das sacolas.

Questionamento
Mas o representante da Associação Comercial do Rio de Janeiro Haroldo de Lemos disse que um estudo inglês mostrou que as alternativas às sacolas plásticas também prejudicam o meio ambiente. O trabalho, disse, comparou sacolas plásticas com outros tipos, como as de papel ou de algodão.
“Até para a minha surpresa, esse relatório chegou à conclusão que a sacola plástica, no total, tem um impacto menor sobre o meio ambiente do que os outros tipos de sacolas, inclusive a de algodão.”
Para Lemos, a questão não é se este ou aquele produto é prejudicial. Segundo ele, o planeta começa a viver uma época de escassez e tem que se preparar para consumir e descartar qualquer coisa de maneira consciente.
Lemos disse ainda que, no caso das sacolas, pelo menos a população as reutiliza para acondicionar lixo. Alguns países, afirmou, praticam a reciclagem energética por meio de incineradores de lixo. Outros cobram pelas sacolas para incentivar o reuso.
Atenção ao consumidor
O presidente do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor, Reginaldo Sena, defendeu que os supermercados forneçam meios para o consumidor transportar as suas compras e que eles sejam gratuitos, higiênicos e seguros.
Já o presidente do Plastivida (Instituto Socioambiental dos Plásticos), Miguel Bahiense Neto, disse durante a audiência que as caixas de papelão e as sacolas de algodão têm mais fungos e bactérias que as sacolas plásticas.
Reportagem – Sílvia Mugnatto/Rádio Câmara
Edição – Ralph Machado