Rádio Câmara

Papo de Futuro

Quando a internet social chega no lugar errado

O que vem primeiro: a tecnologia e a prosperidade, ou é a prosperidade que traz a tecnologia e a conectividade? Enquanto acesso na internet notícias sobre um executivo do Facebook que largou tudo para viver armado até os dentes numa ilha desértica à espera do apocalipse causado pela robotização, eu me admiro com a facilidade de estar online numa cidade bastante turística dentro dessa “ilha” paradisíaca que é Portugal.

Baixos índices de violência, um trânsito seguro, alta longevidade, economia aquecida, pessoas educadas e algum esforço na desburocratização fazem deste país um destino da moda para europeus, e, especialmente, brasileiros. Mas impressiona como a internet já chegou aqui com facilidade, ainda que sem velocidade. Cafés, ônibus, repartições públicas, em todos os lugares, inclusive nas praças, há sempre um sinal aberto para conectar um celular sem operadora! Daria perfeitamente para viver aqui sem um plano de telefonia móvel, somente pulando de uma rede para outra, como de galho em galho, dentro do projeto chamado Porto Digital.

Ainda vai bem longe a profecia do Vale do Silício de que milhões de empregos serão extintos pela robótica e pela automação, e que as pessoas vão trocar os celulares por armas para poderem sobreviver ao desespero do desemprego, mas esse cenário macabro não impede que se invista em cidades conectadas, onde as operadoras são fortes, o mercado é competitivo e onde pode-se comprar um chip pré-pago com pacote de voz, dados e mensagens pelo valor equivalente a R$ 40, numa comunicação que hoje liberta, empodera e facilita a vida das pessoas. Nas cidades conectadas, celular comunica com celular, computador, antenas, e tudo se mistura, antecipando algo que chamamos de Internet das Coisas!

Antes da preocupação com a privacidade da navegação dos usuários, que precisa ser respeitada para que não sejamos perseguidos por anúncios em série e outras formas de violação de direitos, a questão do acesso é mais importante, mas, infelizmente, ele acontece onde há renda, e não onde precisa gerar renda, como nas áreas pobres da periferia de Brasília.

Enquanto São Paulo testa o seu modelo de Wi-Fi público e gratuito, a gente se lembra que, apocalipse, para nós, brasileiros, não são caminhões sem motoristas andando pelas ruas, mas, sim, internet no Brasil sem uma política social para montar redes abertas e públicas de Wi-Fi nas favelas, nos quilombos, nas periferias e nos centros urbanos de nosso país.

Conecte-se com a gente: papodefuturo@camara.leg.br

***Poderá haver diferenças entre o texto escrito e a coluna realizada ao vivo no programa "Câmara é Notícia", da Rádio Câmara*** Roteiro e comentários - Beth Veloso Apresentação - Paulo Triollo

Coluna semanal sobre as novas tendências e desafios na comunicação no Brasil e no mundo, da telefonia até a internet, e como isso pode mudar a sua vida.