Papo de Futuro

Fim da escala 6x1 e o futuro do trabalho

02/06/2026 - 08h00

  • Entrevista: consultor legislativo David Carneiro

Neste episódio do Papo de Futuro, o consultor legislativo David Carneiro retoma o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Na última semana (27/5), a Câmara dos Deputados aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC 221/19) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais em cinco dias com dois de descanso, acabando com a escala 6×1.

O texto foi aprovado em dois turnos por ampla maioria (472 votos favoráveis e 22 contrários no 1º turno; e 461 votos a favor e 19 contra, no 2º turno). Eram necessários, pelo menos, 308 votos a favor. A PEC, que também prevê um período de transição e leis específicas para tratar de algumas carreiras, aguarda agora votação no Senado.

Davi Carneiro relacionou a mobilização pela aprovação do texto ao movimento “Vida Além do Trabalho”, especialmente entre os jovens. Ele citou trabalhadores do comércio, como balconistas e caixas de supermercado, como parte importante do debate.

“Eu acho que, em primeiro lugar, falando sem teoria alguma, as pessoas estão exaustas; elas querem, enfim, descansar, elas querem mais tempo para si mesmas, para as suas famílias, para estudar. Então acho que é um processo que surge da própria exaustão, do cansaço, da luta por condições melhores, mais dignas de trabalho,” destacou.

David Carneiro trouxe também estudos que relacionam jornadas exaustivas a abandono escolar, problemas de saúde mental e aumento do sentimento de perda de sentido no trabalho.

“O Dieese, por exemplo, publicou que existe uma relação estabelecida entre a jornada de trabalho e o abandono escolar dos jovens, que precisam deixar a escola para trabalhar,” destacou.

Segundo David, a redução da jornada de trabalho tem um custo para as empresas. Mas, segundo ele, os estudos divergem sobre o tamanho desse impacto. Além disso, na avaliação do consultor, a mudança na jornada vai além de uma questão econômica apenas.

“Esse não é um debate só econômico. É um debate de contrato social. Que tipo de sociedade a gente quer ter? Que custo nós estamos dispostos, enquanto sociedade, a pagar para a gente ter um dia a mais de descanso para o trabalhador, uma jornada menor? Aqui eu acho que a Câmara dos Deputados deu essa resposta,” afirmou.

Para David Carneiro, o debate sobre o futuro do trabalho envolve também uma avaliação de como novas tecnologias, a exemplo da inteligência artificial, vão impactar produtividade e emprego.

Apresentação: Ana Raquel Macedo

A coluna explora o potencial e os desafios impostos à sociedade pelas novas tecnologias.

Terça-feira, às 8h, no programa Painel Eletrônico. Mande sua sugestão pelo WhatsApp: (61) 99978.9080.