Painel Eletrônico
Bancada suprapartidária quer proibir a propaganda e a publicidade das bets no Brasil, mas deputado defende proibição do jogo online
27/05/2026 - 08h00
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Entrevista: Dep. Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR)
A Frente Parlamentar Mista para a Promoção da Saúde Mental defende a aprovação de projeto que proíbe anúncio, propaganda e patrocínio de bets no Brasil. A proposta, apelidada de “Brasil contra as bets”, foi apresentada por uma bancada suprapartidária e já começou a tramitar na Câmara.
Dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde apontam que os danos associados às apostas online podem gerar custos sociais superiores a R$ 38 bilhões por ano no Brasil
O deputado Luiz Carlos Hauly (PODE-PR), um dos autores do projeto, considera o jogo online uma “maldição”, “pior do que os cassinos”, e faz críticas duras e indignadas ao governo atual e ao anterior, que autorizaram os jogos online, como o tigrinho. “Cassino perto do jogo online é nada”, diz. “O governo pode impedir, mas não faz nada!”. Ele também responsabiliza a Câmara e o Senado.
Apesar de defender o projeto, Luiz Carlos Hauly considera a proibição de propaganda “um paliativo”. Ele defende a proibição do jogo online e já apresentou 3 projetos sobre o assunto.
Hauly diz que 90% das famílias estão endividadas hoje por causa do jogo online. “Isso num país que tem as mais altas taxas de juros do mundo, numa usura desenfreada”, acrescenta. Segundo ele, as famílias destinam 5% da sua renda para “a jogatina online”, 35% para pagar dívidas “e sobram só 60% num país que tem os impostos mais altos do mundo”. “O governo permite o endividamento, a ludopatia (vício no jogo). É o povo mais mal cuidado do mundo”, exclama.
Além de proibir a propaganda e o patrocínio de bets, o projeto traz medidas para o tratamento da ludopatia no SUS. “O sistema de saúde trata cerca de 7 mil doenças e tem obrigação de cuidar desses casos, que se multiplicaram com a jogatina online”, diz o deputado. A ludopatia, segundo ele, deve ser comparada ao uso de drogas, como cocaína, crack, e de álcool.
Hauly lembra que o sistema de loterias tem 13.500 lotéricas em todo o país, emprega 70 mil pessoas, fatura R$ 25 bilhões e destina R$ 12 bilhões por ano para os programas sociais. “Não é compulsivo e ajuda os programas sociais”, afirma. Já as bets recolheram R$ 6 bilhões em impostos no ano passado.
Apresentação: Mauro Ceccherini