Painel Eletrônico
Setor de cruzeiros lutar contra burocracia e quer incentivar rotas no Nordeste para crescer no país
08/07/2026 - 08h00
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Entrevista: Dep. Eduardo Bismarck (PV-CE)
Os entraves burocráticos, as dificuldades trabalhistas e de infraestrutura emperram o setor de cruzeiros no Brasil. Por essa razão, estes problemas serão discutidos em audiência pública da Comissão de Turismo nesta quarta-feira (dia 8), O Brasil ocupa a décima posição de emissores de passagens em cruzeiros do mundo. Na última temporada (2024-2025), o setor movimentou cerca de R$ 5,5 bilhões e recebeu 800 mil cruzeiristas.
O deputado Eduardo Bismarck (PV-CE) se declara preocupado porque o setor terá redução de 25% na próxima temporada, que começa no final do ano e dura 3 meses. Segundo ele, isso se deve, principalmente, a entraves burocráticas, sobretudo na emissão de vistos de passageiros e tripulantes. A audiência terá a presença de representantes do Itamaraty e do Ministério do Trabalho.
Eduardo Bismarck diz que outro problema é a relação com os sindicatos e a legislação trabalhista do setor, que considera “muito fechada”. Hoje, a lei obriga a embarcação a ter 30% de trabalhadores brasileiros, o que obriga a troca constante de uma tripulação altamente especializada. “Então, no cruzeiro, eu acredito, que nós temos uma excepcionalidade. Devemos sim ter brasileiros, incentivar que tenham escolas aqui, que preparem essas pessoas para cruzeiros. Mas a gente precisa ter também uma percepção de que, para atrair mais navios para a nossa costa, a gente precisa ter uma flexibilidade sobre esse assunto”, explica. “E olha que eu venho de um partido, de uma ideologia que defende os direitos dos trabalhadores”, completa o deputado do PV. Outro problema, segundo o deputado, é com Receita Federal, “na forma de taxar tanto o patrimônio do navio como também os ganhos do navio, como o lucro das lojas e dos restaurantes, por exemplo”.
Ex-secretário de Turismo do Ceará, Bismarck diz que o Consórcio do Nordeste também deseja ter maior número de cruzeiros na região. Ele afirma que os cruzeiros, hoje, estão concentrados no Sul e no Sudeste e defende incentivos para o Nordeste. Os principais portos de embarque e escala são Santos e Rio de Janeiro. “A gente tem Salvador e Maceió, como portos importantes no Nordeste, porque eles estão mais próximos do Sul e do Sudeste. Estão na rota pela questão de proximidade”, diz. “O que nós desejamos é manter uma rota permanente no Nordeste, que saia, por exemplo, de Salvador, de Fortaleza, e fique fazendo os outros portos, os outros capitais do Nordeste”.
Para Eduardo Bismarck “o primeiro dever de casa” é reverter a perda de 25% da próxima temporada. Como os cruzeiros trabalham com vendas antecipadas, essa reversão se daria a partir de dezembro de 2027, segundo ele. Bismarck explica que as grandes companhias de cruzeiro são internacionais. “A gente não tem uma companhia brasileira de cruzeiro, que é de grande porte, que possa ficar aqui, na nossa costa”, explica. “Então, para haver permanentemente navios aqui, a gente precisa ter essa flexibilidade e criar um ambiente de negócio melhor para essas companhias”, prega.
Bismarck diz que a reunião da comissão terá dois focos. O primeiro é destravar a burocracia para modernizar o setor em relação ao restante do mundo. O segundo ponto é estimular mais cruzeiros no Nordeste. Os estímulos, segundo ele, seriam no sentido de promoção turística e de isenções fiscais para o Nordeste. Segundo ele, “a gente pode ter uma grande atração de cruzeiros aqui por um período muito maior do que o que a gente recebe. Isso geraria mais divisas e mais oportunidades de negócio. E o principal cliente ia ser o brasileiro”, afirma.
Bismarck destaca que, ao contrário de outros países, o setor não enfrenta o problema da sazonalidade, que restringe este tipo de turismo ao verão. “O Brasil inteiro tem uma grande potencialidade para poder receber navios na nossa costa o ano inteiro. Nós estamos perdendo navios hoje que passam muitas vezes por outros países da América do Sul, ao longo da nossa costa, sem parar em nenhuma cidade do Brasil”, diz.
Os cruzeiros representam 2,7% do mercado global de viagens, mas movimentam cifras bilionárias. Apesar disso, Birmarck diz que não se trata de um mercado só de luxo. “O cruzeiro é um grande mercado que tem vários tipos de categorias. Você tem categorias que vendem aquela viagem em 12 parcelas e chega lá, você tem praticamente tudo incluso, a comida, a bebida não alcoólica. Ele já vai para viagem com a viagem praticamente paga”, explica.
“É muito importante que a gente possa atrair cada vez mais esse tipo de transporte turístico, porque muitas vezes um navio, numa única cidade, quando ele chega, desembarca lá mais de 3 mil passageiros que ficam na cidade consumindo”, explica o deputado. “Se a gente calcular isso em aviões, seria equivalente, dependendo do modelo do avião, a 15 a 20 aviões, de passageiros turísticos para aquele único dia”.
Apresentação: Mauro Ceccherini