Especialistas divergem sobre efeitos dos programas
18/08/2006 - 19:55
Em pesquisa recente feita pelo Globo Online, do jornal O Globo, 76% dos eleitores disseram que não levam em conta a propaganda na hora de decidir o voto. Mas, segundo afirmaram cientistas políticos consultados pelo jornal carioca, mesmo quem diz não assistir ao horário eleitoral pode estar sendo influenciado indiretamente.
Os programas podem ter contribuído para mudar as intenções de voto nas eleições presidenciais de 2002. O instituto Datafolha, da Folha de São Paulo, registrava em 16 de agosto daquele ano, antes do início do horário eleitoral, o seguinte quadro: Luiz Inácio Lula da Silva tinha 37% de preferência; Ciro Gomes contava com um índice de 27%; José Serra com 13% e Anthony Garotinho com 12%.
Já as pesquisas de dois de outubro, às vésperas das eleições e com o fim do horário gratuito, registravam os seguintes índices: Lula, 49%; Ciro, 11%; Serra, 22%; e Garotinho, 17%. Ou seja: as intenções de voto para todos os candidatos haviam sido alteradas.
Os especialistas observam que essas mudanças não ocorreram devido apenas ao horário eleitoral; mas também ao desempenho dos candidatos em entrevistas, debates e ações concretas entendidas pelo eleitor como positivas ou negativas, mas também veiculadas pela propaganda dos candidatos como ataques diretos aos seus adversários.
O pesquisador Leandro Colling, da Universidade Federal da Bahia, lembrou as eleições de 1989, em que o candidato com maior tempo, Ulysses Guimarães, obteve uma votação muito pequena. "Nem sempre quem tem mais tempo se elege", ressaltou.
Líderes de opinião
Leandro Colling destacou também o papel dos líderes de opinião, indivíduos com maior nível de informação e interesse na política que têm influência decisiva sobre alguns eleitores nas conversas do dia-a-dia.
Na avaliação de Colling, é importante ainda na decisão do voto o contato do eleitor com a ação governamental. Segundo ele, os estudiosos da comunicação superdimensionam o poder da mídia nas campanhas.
Públicos distintos Reportagem - Cristiane Bernardes e Newton Araújo Jr.
Em relação aos efeitos da propaganda política, João Francisco Meira, diretor do Instituto de Pesquisas Vox Populi, argumentou que há diferenças entre o horário eleitoral gratuito e as inserções publicitárias permitidas durante a programação normal das emissoras, também pagas pelo governo por meio de benefícios fiscais. Segundo ele, as inserções têm mais impacto sobre o eleitor porque são vistas por todos.
Meira informou que pesquisas indicam que apenas 22% da população assistem regularmente ao horário eleitoral gratuito. E outros 50% dos cidadãos afirmam não assistir nunca aos programas de candidatos e partidos no rádio e na TV. "São dois públicos totalmente distintos e que reagem de forma diferente. Os produtores dos programas precisam levar em conta que esses 22% são mais politizados e interessados, e podem desejar um debate mais aprofundado", ponderou.
Edição - João Pitella Junior
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