Debate de idéias deve ser aprofundado, dizem estudiosos
18/08/2006 - 19:55
Os estudiosos observaram que, teoricamente, o horário eleitoral gratuito deveria servir para aprofundar o debate de idéias, enquanto a veiculação dos spots publicitários serviria como propaganda direta dos candidatos. Eles lembraram que, nos Estados Unidos, a veiculação das campanhas é feita somente por meio dessas inserções publicitárias.
Para o diretor do Vox Populi, João Francisco Meira, tanto a discussão das idéias quanto o marketing fazem parte da democracia: "A propaganda eleitoral existe há milênios e ajuda o candidato a se comunicar." Segundo ele, as elites formadoras de opinião já ocupam posições definidas e os programas não interferem nessa realidade.
Rubens Naves, conselheiro da ONG Transparência Brasil, disse que os eleitores deveriam exigir programas com mais conteúdo. "O programa eleitoral faz uma pregação momentânea que se perde logo depois", lamentou.
Campanha majoritária
Para o professor Eurico de Lima Figueiredo, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Políticas da Universidade Federal Fluminense, a força do horário eleitoral se dá principalmente nas campanhas para senador, governador e presidente da República, e sobra pouco espaço para os candidatos a deputados apresentarem suas propostas.
Eurico Figueiredo argumenta, porém, que a propaganda no rádio e na televisão não basta para melhorar a qualidade dos representantes do povo. Segundo ele, o Brasil precisa investir na formação da cidadania, o que passa por investimentos no sistema educacional. "O eleitor deve ser capaz de comparar os dados transmitidos pelos meios de comunicação com leituras paralelas, mais profundas - por exemplo, com as conversas que ele tem no seu grupo social em relação aos diversos candidatos", resumiu.
Reforma política Reportagem - Cristiane Bernardes e Newton Araújo Jr.
No que se refere aos recentes episódios de corrupção, o professor Eurico Figueiredo observou que a apatia do eleitor contribui para manter as coisas como estão. Segundo ele, nos últimos anos a República brasileira tem sido "passada a limpo" com o julgamento e a punição de integrantes de alto escalão dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
O vice-presidente da Associação de Magistrados do Brasil (AMB), Mozart Valadão, defendeu a urgência da reforma política para evitar que coligações sejam formadas apenas para garantir mais tempo de televisão. "O Congresso já deveria ter feito a reforma política há muito tempo, para proporcionar espaços iguais aos partidos", defende.
O advogado Rubens Naves também se mostrou favorável a uma reforma ampla do sistema partidário. Segundo ele, a inexistência de fidelidade partidária é uma distorção do sistema. Já o representante do Vox Populi, João Francisco Meira, disse que a reforma política deveria ser feita pela própria sociedade civil, "de fora para dentro do sistema político".
Edição - João Pitella Junior
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura `Agência Câmara`)
Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
SR