Jefferson afirma que Dirceu pode ter induzido Lula a erro

04/08/2005 - 15:07  

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) voltou a inocentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ressalvou que ele pode ter sido induzido a erro pelo ex-ministro da Casa Civil deputado José Dirceu (PT-SP). "O presidente Lula é meio parecido comigo: ele mata no peito os amigos, não os abandona no meio do caminho", comentou.
Ao responder a pergunta do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Jefferson emendou: "Daria um cheque em branco para o presidente Lula, retribuindo a confiança que depositou em mim, mas não a José Dirceu." O deputado fluminense também observou, ao deputado João Correia (PMDB-AC), que o Presidente não está poupando ninguém nem impedindo as investigações das comissões de inquérito.

Dinheiro de campanha
Roberto Jefferson insistiu para o deputado Devenir Ribeiro (PT-SP) que só recebeu dinheiro para a campanha eleitoral. Ele acredita que tenha acontecido o mesmo com o ex-líder do PT e deputado Paulo Rocha (PA).
O ex-presidente do PTB lembrou que R$ 4 milhões em dinheiro, recebidos do PT por seu partido, para uso na campanha de 2004, estavam dispostos em duas malas, com 40% das notas marcadas com etiquetas do Banco Rural e 60% do Banco do Brasil.
O deputado recomendou que o Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhe à CPMI a documentação das contas do Banco do Brasil. Ele acredita que o dinheiro não vem do fundo partidário do PT. "As CPIs têm de investigar detalhadamente os documentos, que contêm muitas informações duvidosas que precisam ser confirmadas", sugeriu.

Instituto de Resseguros
Jefferson também comentou que o ex-presidente do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) Lídio Duarte queria aumentar o número de brokers (corretores), que contribuiriam com R$ 60 mil mensais para o PTB, mas não conseguiu esse auxílio. Segundo Jefferson, se a negociação de empréstimo para o PT e o PTB com a Portugal Telecom tivesse dado certo, as tensões estariam superadas. "Em casa em que não há pão, todo mundo briga e ninguém tem razão", ditou.

Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Rejane Oliveira

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