Deputado nega-se a responder sobre destino de doação
04/08/2005 - 18:51
Na audiência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) insistiu em perguntar ao deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) o destino dado pelo PTB aos R$ 4 milhões supostamente doados pelo PT para a campanha de 2004. No entanto, o ex-presidente do PTB negou-se novamente a responder.
Jefferson assumiu toda a responsabilidade pelo destino dos valores e, apesar dos apelos do senador, disse que não informaria quem recebeu os recursos.
Instituto de Resseguros
O senador também questionou o fato, declarado por Jefferson, de que o ex-presidente do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) Lívio Duarte havia buscado doações de corretores para o PTB. Suplicy indagou se era possível concluir que Jefferson indicava pessoas para cargos públicos para que cometessem o crime de concussão (extorsão ou peculato cometido por servidor público no exercício de suas funções).
Jefferson respondeu simplesmente: "Não fiz nada diferente do PT. A estratégia do PTB não difere dos demais partidos desta Casa."
Marca no coração
Jefferson lembrou a acusação feita por Suplicy, em 1992, de que o deputado teria recebido R$ 1 milhão do tesoureiro Paulo César Farias para defender o ex-presidente Fernando Collor de Mello no processo de impeachment. O antigo líder da base de Collor no Congresso revelou: "A marca mais dura que trago no meu coração foi V. Exa. quem fez, ao me rotular de corrupto."
O deputado fluminense observou também que o ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira, responsável pelo processo contra o ex-presidente Collor, aparece como um dos sacadores das contas de Marcos Valério.
Encontro com Marinho
Roberto Jefferson recomendou ao senador Suplicy que não acreditasse na reportagem de jornalista sul-mato-grossense, que relatava um suposto encontro do deputado com o ex-chefe dos Correios Maurício Marinho. Marinho foi flagrado em vídeo recebendo R$ 3 mil de propina. O petebista afirmou que não vai desde 2001 até Anastácio, a cidade onde o encontro teria ocorrido.
O depoimento continua na sala 6 da ala Nilo Coelho, no Senado.
Jefferson diz que empréstimo de Valério ao PT é uma fraude Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Francisco Brandão
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