Ciência, tecnologia e Comunicações

Reclamações vêm caindo, mas banda larga fixa ainda gera muito insatisfação

Acesso a internet no Brasil ainda é marcado pela desigualdade

19/11/2019 - 15:22  

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Koleski: satisfação do consumidor com o serviço celular tem melhorado ao longo do tempo

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recebeu 3 milhões de reclamações no ano passado, conforme o representante do Comitê de Defesa dos Usuários de Serviços de Telecomunicações da agência, Fábio Koleski. Em 2015, esse número chegava a 4 milhões. As informações foram prestadas em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados sobre a cobertura e a qualidade da telefonia móvel distante dos grandes centros.

Conforme Koleski, pesquisa realizada anualmente pela Anatel desde 2015 mostra que a satisfação do consumidor com o serviço celular tem melhorado ao longo do tempo, mas que a banda larga fixa tem gerado muitas reclamações, em especial sobre o atendimento ao consumidor e a capacidade de resolução de problemas pelas prestadoras. Além disso, a pesquisa mostra que as ofertas precisam ser mais transparentes, com informações mais claras para o consumidor.

Representante da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Henrique Lian ressaltou que nos Procons houve 460 mil reclamações na área de telecomunicações no ano passado. O setor lidera o ranking de reclamações de consumidores.

Desigualdade
Representante do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Diogo Moyses destacou que, no Brasil, o acesso a internet ainda é marcado pela desigualdade, já que 85% da classe D e E e 61% da classe C acessam internet apenas pelo celular. Segundo ele, quem tem apenas internet móvel faz uso restrito a envio de mensagens e acesso a redes sociais para não ter internet bloqueada, enquanto o uso da internet residencial fixa permite pesquisa amplas, downloads e acesso a cursos, por exemplo.

O Idec pede que o modelo de internet móvel seja por velocidade, como na banda larga fixa, e não por franquia, e que o serviço não seja bloqueado após fim da franquia. “Que se mantenha velocidade mínima, para que consumidor tenha acesso pelo menos a serviços públicos que estão disponíveis pela internet”, disse.​

Reportagem - Lara Haje
Edição - Roberto Seabra

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