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Ex-servidores criticam mudanças no Iphan em audiência na Câmara

24/10/2019 - 12:00  

Ex-funcionários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) criticaram ontem, em audiência na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, a recente troca de superintendentes do órgão por indicações políticas.

Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
Deputados reunidos com ex-servidores: apoio da comissão contra "desmonte" na área cultural

Márcia de Sant’Anna, que foi servidora do Iphan por 20 anos, alertou que essas mudanças de cunho apenas político podem prejudicar o andamento dos trabalhos dentro da instituição. Isso porque a conservação do patrimônio requer conhecimento técnico.

A crítica foi corroborada pelo representante do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Danilo Macedo. Segundo ele, atacar as instituições é o mesmo que atacar os servidores, principalmente quando estes são substituídos por outros que não tem a mesma competência técnica.

Cidadania x Turismo
Atualmente, o Iphan está vinculado ao Ministério da Cidadania, mas há quem defenda que ele seja transferido para o Ministério do Turismo. Para Márcia Sant’Anna, o patrimônio cultural e o turismo andam juntos, mas é preciso ter atenção para que não haja prejuízo para o legado de gerações.

“O que não é possível é querer colocar toda a política de preservação do patrimônio dentro de uma lógica pura e simples de atividade econômica, numa visão de turismo voltada para uma visão simplesmente de atividade econômica geradora de renda."

Já Jurema Machado, que foi presidente do Iphan de 2012 a 2016, alertou para a invisibilidade que a Cultura está tendo dentro do Ministério da Cidadania, que tem outros focos de atuação.

“O ideal seria ter um ministério que seja vocacionado para esse tema. Que a cultura, dentro desse ministério, seja que nome tenha, não seja um estorvo, mas seja de fato uma área importante da política pública."

Apoio da comissão
O deputado Marcelo Calero (Cidadania-RJ), que foi ministro da Cultura no governo Temer, lamentou o desmonte que está sendo realizado na área cultural e reafirmou o apoio da comissão.

“O Iphan e o corpo técnico não estão sós. Nós estamos atentos ao caso e vamos usar os instrumentos regimentais para denunciar e fazer pressão política”.

A deputada Áurea Carolina (Psol-MG) afirmou que a Comissão de Cultura é um espaço para fazer a denúncia do desmonte das políticas culturais, e é importante para que a sociedade saiba o que está acontecendo.

“Nós temos feito também um papel parlamentar de formulação de requerimentos, pedidos de informação, moções de repúdio, ajudando a dar corpo formal para esse trabalho”.

Reportagem - Karla Alessandra
Edição - Natalia Doederlein

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