Política e Administração Pública

Projeto do Executivo prevê autonomia plena do Banco Central e mandato para diretoria

13/05/2019 - 18:30  

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 112/19 define os objetivos do Banco Central e dispõe sobre a autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira da autarquia e sobre os mandatos dos seus dirigentes. Atualmente, o BC subordina-se à Presidência da República.

Rodrigo Oliveira/Caixa Econômica Federal
Administração Pública - Economia - Bancos - Edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília (DF)
Se a proposta virar lei, o presidente do Banco Central perderá status de ministro

A proposta, encaminhada em abril pelo Executivo ao Congresso Nacional, deve ser apensada a outros textos que já tramitam na Câmara dos Deputados. No ano passado, houve tentativa de votar o PLP 32/03, de autoria do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Câmara.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que conversou antes com o presidente da Câmara. Sendo enviado pelo Executivo, afirmou o ministro, devem ser evitados questionamentos jurídicos por suposto vício de iniciativa, já que a transformação da estrutura do governo federal, segundo a Constituição, é privativa do presidente da República.

De acordo com Onyx, os projetos são semelhantes e houve o cuidado em formular uma proposta que se alinhasse aos termos apresentados anteriormente pelo presidente da Câmara. “Interessa ao Parlamento e ao País que a gente tenha um guardião da economia que proteja, independentemente de quem esteja no governo, a moeda brasileira”, declarou.

Atribuições
O texto estabelece que o Banco Central tem por objetivo fundamental assegurar a estabilidade de preços, por meio do controle da inflação. Sem prejuízo disso, o BC também deve zelar pela estabilidade financeira, por meio da regulação do sistema financeiro.

As metas de política monetária, entre elas a da inflação, continuarão a ser definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Caberá ao Banco Central conduzir as medidas necessárias, entre elas a definição da taxa básica de juros (Selic), para o cumprimento das metas.

A autonomia do Banco Central é garantida com a perda do status de ministro do presidente do BC e mandato fixo para o presidente e diretores da instituição, não coincidente com o mandato do presidente da República. A Constituição prevê a sabatina desses dirigentes pelo Senado.

No projeto, algumas garantias são conferidas ao presidente e aos diretores do Banco Central, como mandato de quatro anos, com possibilidade de recondução por igual período, e proteção jurídica conferida para que se dê de fato a autonomia que garanta a integridade da instituição.

Tramitação
A proposta ainda será distribuída às comissões permanentes da Câmara.

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Reportagem – Ralph Machado
Edição – Marcelo Oliveira
Com informações da Agência Brasil

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