Para Chico Alencar, Conselho de Ética "perde tempo" com representação contra Wyllys
08/11/2016 - 16:00 • Atualizado em 08/11/2016 - 16:18

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) avalia que o Conselho de Ética “perde tempo” ao analisar a representação em que a Mesa Diretora da Câmara pede a suspensão do exercício do mandato do deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) por ter cuspido em direção ao deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a votação da admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 17 de abril, no Plenário da Câmara. Para a Mesa, Wyllys feriu o decoro parlamentar.
“Jean Wyllys jamais negou o fato, como reação ao bullying de Bolsonaro. Foi uma reação incomum, não correta do ponto de vista da relação entre parlamentares, mas tem de ser entendida à luz do ambiente” de provocação, disse Chico Alencar, acrescentando que aquela reunião no Plenário, “dita histórica”, era conduzida de forma “histérica” pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “O conselho não pode ser palco desse tipo de embate. O conselho se debruçar sobre esse tema tem um quê de perda de tempo.”
Chico Alencar, segundo depoente no caso Wyllys, lembrou que a própria Mesa Diretora não foi unânime ao acolher a recomendação da Corregedoria da Câmara de enviar a representação ao Conselho de Ética. Na ocasião, a Mesa aprovou a representação por 4 votos a 2 - os votos contrários foram do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e da suplente da Mesa, deputada Luíza Erundina (Psol-SP).
Alencar também manifestou revolta contra o que chamou de “fraude” em um vídeo divulgado pelo filho de Bolsonaro, deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), com uma leitura labial que sugeriria uma premeditação de Jean Wyllys em relação à cusparada. O vídeo foi incluído na peça acusatória e mostra uma conversa entre Alencar e Wyllys. Segundo Chico Alencar, a leitura labial é “falsa” e o encontro dele com Wyllys se deu após o episódio, o que descaracterizaria a tese da premeditação.
A pedido da defesa de Wyllys e do relator do caso, deputado Ricardo Izar (PP-SP), o vídeo foi exibido na reunião. Jair Bolsonaro, que acompanha a reunião, fez questão de frisar que o vídeo e a leitura não foram feitos por Eduardo, mas pela imprensa (Record News).
Eduardo Bolsonaro também foi citado na reunião de hoje por ter cuspido em direção a Wyllys, em 17 de abril. “Nem por isso o Psol representou contra ele”, disse Chico Alencar. “Essa, sim, foi uma reação”, respondeu o pai, Jair Bolsonaro.
"Tchau, querida"
O terceiro depoente da tarde, deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), disse ter recebido a maior parte do cuspe de Wyllys na direção de Bolsonaro. O episódio, segundo ele, ocorreu após Bolsonaro ter dito “tchau, querida” para Wyllys. No entanto, Sóstenes afirmou não ter visto nem ouvido nenhuma agressão prévia de Bolsonaro que justificasse a atitude de Wyllys.
Os depoimentos do caso Jean Wyllys foram encerrados há pouco. O conselho, no entanto, continua reunido para a possível votação de relatórios de outros processos.
A reunião ocorre no Plenário 3.
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Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição - Newton Araújo