Política e Administração Pública

Reunião da Comissão do Impeachment do Senado começa com tumulto

06/05/2016 - 11:11  

Começou com bate-boca a reunião da Comissão do Impeachment do Senado destinada a votar o parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que recomenda a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e o seu consequente afastamento do cargo de presidente.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) iniciou a reunião dizendo que a presidente Dilma será afastada sem ter cometido crime e será substituída por um projeto conservador que vai retirar direitos dos trabalhadores. “Ninguém seria eleito pelo voto popular com um projeto de governo deste, o Ponte para o Futuro. Esse documento rasga o legado de Lula, Ullysses Guimarães e Getúlio Vargas. Falam aqui em privatizar tudo”, criticou.

As afirmações foram rebatidas pelos senadores tucanos Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Houve início de bate-boca e a sessão foi suspensa por vários minutos até que fosse restaurada a ordem no Plenário.

A reunião, marcada para as 10 horas, só teve início uma hora depois, por volta das 11 horas.

O relatório de Anastasia, que será votado, reforça que a presidente Dilma Rousseff cometeu crime de responsabilidade ao recorrer a decretos para autorização de créditos em desacordo com a meta fiscal e sem autorização do Congresso e ao fazer uso das chamadas pedaladas fiscais – atrasos do governo nos repasses para pagamento de benefícios do Plano Safra, obrigando o Banco do Brasil a quitar os compromissos com recursos próprios, o que foi considerado empréstimo pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Para o senador, as irregularidades denunciadas podem colocar em xeque o próprio regime de responsabilidade fiscal.

“Não está em evidência, unicamente, a discussão sobre a manutenção de um mandato presidencial. Está em jogo, sobretudo, a avaliação de questões pertinentes à preservação de um patrimônio inestimavelmente caro à Nação, isto é, da estabilidade fiscal e monetária do País”, argumentou. Se o equilíbrio das contas públicas for comprometido, segundo Anastasia, a consequência será o descontrole inflacionário. “O preço da estabilidade é a eterna vigilância”, concluiu.

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Reportagem - Carol Siqueira
Edição - Natalia Doederlein

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