Fernando Baiano nega ser sócio oculto de Eduardo Cunha
26/04/2016 - 18:45
Em depoimento no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o lobista Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, negou há pouco ser sócio oculto do presidente da Câmara, Eduardo Cunha — acusação que consta de peça acusatória do Ministério Público Federal.
“Isso nunca ocorreu. Os negócios foram fechados após os contratos relativos ao navio-sonda [da Petrobras], em 2006. Só conheci o deputado Eduardo Cunha em 2009 e pedi ajuda [para cobrar uma dívida de Julio Camargo] a ele em 2010”, respondeu Baiano, após questionamento do deputado Carlos Marun (PMDB-MS). Marun ressaltou que delação premiada não é prova e que isso já foi reconhecido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
O deputado Leo de Brito (PT-AC) questionou o depoente se o dinheiro que ele diz ter pago a Cunha foi entregue no escritório dele. O lobista confirmou: “Foi no escritório comercial do deputado, no centro do Rio de Janeiro. Fechei esse acordo com ele e entreguei às pessoas indicadas por ele”. Baiano disse, também, que tinha consciência da ilicitude dos recursos.
Segundo a assessoria do presidente da Câmara, a alegação de Fernando baiano “é antiga, sem provas e foi desmentida com contundência pela defesa do deputado”.
Petrobras
O depoente explicou que tinha negócios com a Petrobras “Alguns desses negócios me foram solicitados por pessoas que estavam nas posições da Petrobras; vantagens indevidas para políticos do PMDB”, disse Baiano.
“Está clara a ilicitude, o achaque, a chantagem que foi feita pelo deputado Eduardo Cunha. Está cristalino”, acusou Leo de Brito.
O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) voltou a questionar sobre o pagamento que teria sido feito a Eduardo Cunha. Fernando Baiano voltou a negar que tivesse entregado o dinheiro pessoalmente ao presidente da Câmara, pois o teria feito apenas a terceiros.
Para o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), a relação entre Eduardo Cunha e Fernando Baiano é, sim, uma sociedade, e uma sociedade que não é feita à luz do dia. “Não tem contrato social. E qualquer ato ilícito feito por um agente público e um empresário é uma sociedade oculta”, disse o parlamentar.
Baiano disse que foi perseguido na Petrobras por não ter aceitado pagar propina a um funcionário da empresa. Ele também disse que, quando se encontrava com Cunha, o parlamentar falava que Julio Camargo estava devendo a ele e perguntava se podia ajudar a cobrar.
Celular particular
Em resposta a Chico Alencar, o depoente confirmou que utilizava celular particular para se comunicar sobre negócios que tinha com políticos. “Os negócios eram lícitos; a ilicitude estava em pagar a propina” afirmou.
Ele confirmou novamente denúncia constante da delação premiada de que tinha uma planilha, encaminhada por e-mail por Eduardo Cunha, com a dívida dos recursos devidos a serem pagos por Julio Camargo. “Mas não consegui localizar, então passei para o MPF a minha conta em que recebi esse e-mail”, informou.
Baiano disse, ainda, que veio várias vezes a Brasília visitar deputados, mas não citou os nomes dos parlamentares.
O depoimento do lobista Fernando Baiano no Conselho de Ética da Câmara foi encerrado há pouco no Plenário 11.
Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Luciana Cesar