Youssef nega envolvimento em operações com o fundo Petros
27/10/2015 - 17:33 • Atualizado em 27/10/2015 - 17:50

O doleiro Alberto Youssef, principal delator da Operação Lava Jato, disse que só ficou sabendo da negociação envolvendo a Petros, a CSA e a IMV muito depois que ocorreu. "Não participei, não intermediei, nunca tive contato com a Petros", afirmou.
Ele contradisse as afirmações do advogado Carlos Alberto Costa, que falou antes dele à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão.
Youssef também negou ter conhecimento de pagamento de propina com recursos da Petros. Ele negou, ainda, que tivesse relação com a CSA.
Funcef
Alberto Youssef confirmou que esteve na Funcef, em reunião marcada pelo ex-deputado André Vargas, para apresentar debêntures há dois anos, mas disse que o negócio não se concretizou. Ele negou participação em qualquer investimento envolvendo os quatro fundos de pensão federais investigados pela CPI, apesar de confirmar que conhecia ex-diretores desses fundos.
O doleiro também negou que tenha participado de reuniões com João Vaccari Neto na CSA. "Ouvi dizer no mercado que o Vaccari era um dos operadores de alguns fundos de pensão, como Petros e Funcef, mas só ouvi dizer", disse.
Ele afirmou que foi apresentado a Claudio Mente pelo ex-deputado falecido José Janene. E que conheceu e esteve uma única vez com o filho do senador Renan Calheiros, "Renanzinho", mas que não tratou de fundos de pensão com ele. "Falamos de política, falamos de economia, só isso", declarou Youssef.
Frustração
Deputados ficaram frustrados com o depoimento. O deputado Rocha (PSDB-AC), disse estar decepcionado. "Youssef parece ter tido um ataque de esquecimento", lamentou.
O líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), também lamentou a falta de respostas. "Felizmente, temos a Polícia Federal, a Justiça e o Ministério Público, porque nem esta Casa dá respostas, como o fiasco da CPI da Petrobras na semana passada", disse.
Youssef informou que sua delação premiada contém só dois relatos sobre os fundos de pensão: a tentativa de vender debêntures para Funcef e Postalis, que não se concretizou; e outros investimentos de fundos municipais e estaduais no fundo "Viagens Brasil", da empresa Marsans. "Além disso, não sei mais nada", disse.
Youssef chegou munido de habeas corpus e poderia ter ficado em silêncio, mas optou por responder a todas as perguntas da CPI.
A reunião ocorre no plenário 2.
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Reportagem – Georgia Moraes
Edição – Pierre Triboli