Judô e levantamento de peso detalham preparação dos atletas para a Rio-2016
Com objetivos específicos, preparação das delegações foi debatida por parlamentares e representantes das confederações
10/09/2015 - 19:32

Na audiência pública requerida pelo deputado João Derly (PCdoB-RS), parlamentares receberam o gestor de Alto Rendimento da Confederação Brasileira de Judô e responsável pela Seleção Brasileira de Judô, Ney Wilson Pereira da Silva; e o presidente da Confederação Brasileira de Levantamento de Peso, Enrique Montero Dias.
Ambas as confederações desenvolveram trabalhos específicos para a obtenção de bons resultados na Rio-2016 e os dados desse processo servirão para o relatório a ser feito pela comissão. Com realidades bastante distintas, as confederações de judô e de levantamento de peso visam resultados inéditos para o esporte brasileiro.
Na gestão de uma modalidade sem tradição no País, Enrique Montero Dias destacou os esforços e o planejamento da CBLP para aprimorar os atletas com possibilidade de bons resultados olímpicos. “Nós nunca tivemos uma posição de disputa real em Jogos Olímpicos. Normalmente o envio da delegação é como participação”, disse.
Levantamento de peso
Com o planejamento específico, Dias destacou o foco em 15 potenciais atletas para a disputa das cinco vagas disponíveis para a delegação brasileira nas Olimpíadas (três para homens e duas para mulheres). Sem centro de treinamento, a confederação se apoia em preparações específicas realizadas pelos clubes dos atletas, espalhados em sete estados. E isso tem gerado resultados: o Brasil é, hoje, o 16º entre 147 países do ranking internacional de levantamento de peso.
O principal nome do País na modalidade é Fernando Reis, bicampeão pan-americano na categoria acima de 105 kg, e quinto colocado no ranking mundial. Para conseguir índice de medalhista olímpico, ele terá de aumentar em cerca de 30 kg a quantidade de 427 kg que o levou ao recorde pan-americano, em Toronto. “Não é uma medalha garantida, mas é uma tarefa possível”, afirmou Enrique Dias.
Judô
Já no judô, o trabalho é para conquistar o máximo de medalhas. Condições para isso, a delegação tem. A saber, o Brasil é o 3º no ranking mundial de judô. Para 2016, ao menos 14 vagas já estão asseguradas. A CBJ formou uma comissão técnica multidisciplinar, com treinadores, médicos, nutricionistas e outros profissionais ligados ao esporte, para trabalhar especialmente com foco nas Olimpíadas.
Mesmo com uma equipe feminina experiente em Jogos Olímpicos e um time masculino jovem, porém promissor, Ney da Silva acredita em resultados homogêneos por conta do volume de competições e treinamentos fora do País aos quais têm submetido os atletas. Ao fim de 2015, a delegação brasileira terá completado 31 ações entre viagens de treinamento e competições. De janeiro a maio de 2015, os judocas competirão em mais 20 eventos esportivos até a definição das vagas, em 2 de maio. “A gente intensificou bastante a participação para o campeonato mundial e pós-campeonato mundial”, destacou Silva.
Recursos
Tanto a CBLP quanto a CBJ contam com recursos da Lei N° 10.264, conhecida como Lei Agnelo/Piva e do Plano Brasil Medalhas. Esses são os principais recursos da Confederação Brasileira de Levantamento de Peso. “A CBL é a que menos recebe recursos da Lei Agnelo/Piva. O valor é de R$ 1,9 milhão. Nós tivemos um choque de gestão, uma racionalização de uso de recursos. E estamos conseguindo, por meio dessa racionalização, realizar todo o planejamento feito no início do ano”, disse Enrique Dias.
Já o judô dispõe de mais investimento. A aplicação de recursos na seleção brasileira se constitui de Plano Brasil Medalha (38%); Lei Agnelo/Piva (21%); Fundo Olímpico (18%); Lei de Incentivo (12%); e patrocinadores (11%). Segundo Ney da Silva, cada atleta custa R$ 145 mil por ano.
Questionado sobre um possível cenário de investimentos pós-Jogos, ele adiantou que a confederação tem contratos que se prolongam após as Olimpíadas, mas que existe a preocupação de uma evasão de patrocínios. “Sabemos que após os jogos vamos carecer um pouco desses recursos, mas estamos bastante confiantes de que possamos fazer bons resultados e com isso dar continuidade ao nosso projeto pós-Rio-2016”, disse. Já a CBLP ainda não tem elaborado o planejamento de 2017.
Reportagem - Pedro Lins
Edição - Sandra Crespo