Bancos e corretoras legais participam de esquema de evasão de divisas, diz doleiro
13/08/2015 - 16:16
Lucas Pacce Jr., acusado de envolvimento no esquema de remessa ilegal de dinheiro, disse que o esquema de evasão de divisas operado por doleiros tem também a participação de bancos e corretoras legais.
“Tem gerente de banco envolvido”, disse. Ele deu como exemplos uma agência do Bradesco na rua Libero Badaró, em São Paulo, que fazia transações financeiras de R$ 3 milhões por dia apenas para uma empresa que sequer era correntista do banco.
Pacce detalhou também como funcionava o esquema de remessas para o exterior por meio de importações fictícias feitas por empresas importadoras de fachada. “Ninguém estranhava que uma empresa do ramo alimentício importava tecidos?”, perguntou.
Ele apontou ainda características das operações ilegais que poderiam ter chamado a atenção das instituições responsáveis pelo controle do sistema financeiro e até mesmo das operadoras de câmbio que atuavam no pagamento de importações.
“Em uma operação de câmbio para importação, a corretora ganha 0,5% de comissão, mas nas operações ilegais essa comissão era de 2%. Será que essa corretora não achava suspeito?”, perguntou.
Pacce disse ter sido ameaçado, mas se recusou a entrar em detalhes. “Já falei sobre isso na minha delação”, disse.
Reportagem - Antônio Vital
Edição - Newton Araújo