Começa reunião da CPI da Petrobras para ouvir doleiros e diretor do Banco Central
13/08/2015 - 09:57
Começou há pouco a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras convocada para ouvir quatro pessoas: Anthero de Moraes Meirelles, diretor de Fiscalização do Banco Central; Maria Lúcia Ramires Cardena; Luccas Pace Júnior; e Marco Antonio Rodota Stefano.
Os depoimentos foram pedidos pelos deputados Antônio Imbassahy (PSDB-BA), Altineu Côrtes (PR-RJ), Valmir Prascidelli (PT-SP), Afonso Florence (PT-BA), Leo de Brito (PT-AC) e Jorge Solla (PT-BA).
Os deputados querem entender o funcionamento do esquema de envio de dinheiro para o exterior utilizado pelos doleiros do grupo de Alberto Youssef, um dos passos para o pagamento de propinas na Petrobras, de acordo com as investigações da Operação Lava Jato.
O mercado paralelo de câmbio passou a ser uma das prioridades da CPI depois do depoimento da doleira Nelma Kodama, em Curitiba (PR), onde está presa. Apontada como integrante do esquema montado por Youssef, ela foi condenada a 18 anos de prisão por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Em depoimento à CPI, Nelma disse que existem brechas na legislação e na fiscalização que permitem a atuação de doleiros.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Anthero de Moraes Meirelles, foi convocado para falar sobre a regulamentação e a fiscalização das operações de câmbio.
Os outros três depoentes são acusados de envolvimento em transações ilícitas de remessa ilegal para o exterior. Luccas Pace Júnior era uma espécie de braço direito de Nelma Kodama nas operações de câmbio ilegal. Maria Lúcia Ramires Cardena foi acusada de lavagem de dinheiro junto com o doleiro Raul Sour – ela conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe dá o direito de não falar hoje. Já Marco Stefano é diretor da corretora TOV, uma das maiores do País.
Na última terça-feira, outros dois convocados mencionados por Kodama não compareceram à audiência da CPI: Fernando Heller, diretor da corretora TOV, e José Aparecido Eiras, gerente do Banco do Brasil suspeito de ligação com o doleiro Raul Sour.
A advogada de Fernando Heller, Carla Domenico, pediu o adiamento do depoimento sob a alegação de que não poderia acompanhar o cliente na reunião. Eiras, por sua vez, alegou que foi submetido a uma cirurgia e também pediu o adiamento. Os depoimentos dos dois devem ser remarcados.
A CPI está reunida no plenário 2.
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Reportagem – Antonio Vital
Edição – Marcos Rossi