Política e Administração Pública

Celso Pansera diz que segurança institucional da Petrobras foi omissa

30/06/2015 - 14:02  

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O deputado Celso Pansera (PMDB-RJ) chamou atenção há pouco para a omissão do serviço de segurança empresarial da Petrobras quanto a mudanças de comportamento e de padrão de vida de alguns funcionários da companhia. Para o deputado, ações nesse sentido poderiam ter trazido à tona parte dos desvios de conduta hoje revelados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

“Nunca houve nenhuma movimentação da presidência da Petrobras, da diretoria de recursos humanos, para querer saber nada sobre isso?”, indagou ele. “Como não haver uma percepção desse número de pessoas se movimentando por meio de ilícitos, mudando a qualidade de vida, a relação interna com seus colegas de trabalho? É impossível a Petrobras não ter detectado isso. Nunca foi instalada nenhuma comissão para avaliar a mudança de comportamento e padrão de alguns funcionários?”, perguntou Pansera.

Atuação por demanda
O ex-gerente de Segurança Empresarial da Petrobras Pedro Aramis voltou a dizer que o setor de segurança só atuava por demanda, e que as denúncias mais frequentes vinham dos níveis funcionais mais baixos. “Do níveis superiores chegavam poucas. Infelizmente, nos trabalhos que fizemos, após denúncias, não encontramos nada”, disse Aramis.

Pasera citou o caso do o ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, que já prestou depoimento à CPI e admitiu ter recebido 97 milhões de dólares em propinas. “Nunca houve uma sindicância para buscar essa informação? Como isso durou 10 anos sem ser percebido?”, finalizou Pansera.

Aramis tentou justificar a ausência de sindicâncias para apurar possíveis condutas ilícitas de funcionários com o fato de que “havia um entusiasmo muito grande com o potencial da companhia”. De acordo com ele, isso pode ter ofuscado a percepção de que algo errado poderia estar acontecendo. Havia um entusiasmo muito grande pela descoberta do pré-sal, pela construção de refinarias”, disse.

No mesmo sentido, o deputado Edio Lopes (PMDB-RR) questionou Aramis sobre a paralisia da Petrobras quanto a análise de princípios éticos. “Me estranha que um setor com todo o aparato que o senhor tinha não tenha atentado para essa questão. Foi omissão ou não havia uma determinação para que sua área atuasse nessa investigação?”, perguntou Lopes.

De acordo com Aramis, a segurança empresarial não atuava analisando a evolução de patrimônios pessoais, “até porque não tínhamos previsão legal para isso.”

A comissão continua reunida no plenário 3.

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Reportagem - Murilo Souza
Edição - Natalia Doederlein

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