Começa reunião da CPI que ouvirá depoimentos de sete funcionários da Petrobras
08/06/2015 - 15:00

Começou há pouco a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras convocada para ouvir os depoimentos de sete funcionários da Petrobras envolvidos nos processos de licitação e construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco; Henrique Lage, em São Paulo; Presidente Vargas, no Paraná; Capuava, em São Paulo; e Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.
Os depoentes Abenildo Alves de Oliveira, Flávio Fernando Casa Nova da Motta, Heleno Lira, Ivo Tasso Bahia Baer, Gilberto Moura da Silva, Eduardo Jorge Leal de Carvalho e Albuquerque e Laerte Pires foram convocados a pedido do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), sub-relator de Superfaturamento e Gestão Temerária na Construção de Refinarias.
Eles não são acusados de irregularidades e serão ouvidos na qualidade de testemunhas – e, como tal, são obrigados a dizer a verdade.
Os deputados querem saber detalhes do processo de formação de preços das obras licitadas pela Petrobras. Segundo vários depoentes, como o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, a estatal aceitava propostas das empresas dentro de uma margem 20% maior até 15% menor que a estimativa de custos feita pela própria Petrobras.
Costa e outros dois acusados que fizeram acordo de delação premiada com a Justiça, o ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco e o empresário Augusto Mendonça Neto, afirmaram que não havia irregularidades no processo de estimativa de preços e nas licitações.
Mendonça chegou a dizer à CPI que o preço de referência da Petrobras era “muito bem feito”.
Irregularidades
Segundo Pedro Barusco, houve cartel das empresas na construção dos 12 pacotes de obras da refinaria Abreu e Lima (RNEST). Os contratos foram fechados com preços perto do máximo. Ele disse que apenas o pacote de obras para a Unidade de Hidrotratamento foi fechado em R$ 3,19 bi. A proposta foi do consórcio Conest, composto pela Odebrecht e OAS.
Já a Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), teria rendido propina a diretores da Petrobras, segundo o empresário Júlio Camargo, da empresa Toyo Setal. Ele afirmou ter pagado R$ 6 milhões ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque e a Barusco.
Ele disse o mesmo a respeito das obras da refinaria Presidente Vargas (Repar), em Araucária (PR), e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí (RJ).
A refinaria de Capuava consta de uma planilha de pagamentos encontrada no escritório do doleiro Alberto Youssef.
Reportagem - Antônio Vital
Edição - Newton Araújo