Começa reunião da CPI da Petrobras para ouvir funcionários da Construtora OAS
28/05/2015 - 10:00
Começou há pouco a reunião da CPI da Petrobras convocada para ouvir dois funcionários da empreiteira OAS denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro: José Ricardo Nogueira Breghirolli e Mateus Coutinho de Sá Oliveira. Como são réus no processo da Operação Lava Jato, a expectativa na CPI é que eles permaneçam em silêncio.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, aceita pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), o cartão de visitas de Oliveira, diretor financeiro da OAS, foi apreendido no escritório do doleiro Alberto Youssef . E o nome dele aparece em diversas mensagens entre Youssef e o funcionário da OAS responsável pela liberação de pagamentos, interceptadas pela Polícia Federal.
Já o nome de Nogueira aparece 26 vezes na lista de visitantes do escritório de Youssef em São Paulo (SP). Também existem diversas mensagens interceptadas entre ele e Youssef relativas a entrega de dinheiro a terceiros.
De acordo com o Ministério Público Nogueira “era o responsável, junto à OAS, pelos contatos e negócios com Alberto Youssef, inclusive para remessas fraudulentas ao exterior”, além de várias entregas de um total de R$ 676 mil em endereços indicados pelo doleiro.
Ele foi preso em maio e, em depoimento à Justiça, ficou em silêncio. Mas entregou ao juiz Sérgio Moro uma petição em que se diz inocente das acusações. No documento, ele afirma que nunca teve contato “com agentes públicos ou políticos”, não conhecia qualquer funcionário da Petrobras, não conheceu os ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa, Renato Duque ou Nestor Cerveró nem tinha “contato dentro da OAS com as pessoas de José Adelmário (Léo Pinheiro) e Agenor Medeiros” – outros executivos da empreiteira processados.
Ele alegou que visitou o escritório de Youssef duas vezes para entregar “documentos a pedido da empresa, cujo conteúdo desconhecia”.
O presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, também foi denunciado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. No último dia 26, ele se recusou a responder as perguntas dos deputados na CPI e foi dispensado.
Denúncias
As empresas do grupo OAS celebraram contratos com a Petrobras no valor de R$ 10 bilhões e 48 milhões de dólares entre 2005 e 2014. Nesse período, foram identificadas transferências de R$ 7 milhões para contas controladas pelo doleiro Alberto Youssef – o que a polícia suspeita que seja uma maneira de pagar propinas.
A empresa é acusada de pagar propina ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Por conta disso, o Ministério Público Federal pede que a OAS devolva aos cofres públicos R$ 988,7 milhões.
A OAS integrou ainda, com a Odebrecht, o consórcio Conest, responsável por obras da Refinaria Abreu e Lima (Renest), Pernambuco. Segundo o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco, houve formação de cartel das empresas na construção dos 12 pacotes de obras da refinaria , Segundo ele, apenas o pacote de obras para a Unidade de Hidrotratamento, a cardo do Conest, foi fechado em R$ 3,19 bilhões.
A empreiteira também participou do consórcio responsável pelo estaleiro Enseada do Paraguaçu, junto com a Odebrecht, UTC e Kawasaki. O estaleiro é um dos contratados pela empresa Sete Brasil para construir sondas de perfuração para exploração do petróleo do pré-sal.
A OAS participou ainda, com a Camargo Corrêa, de um consórcio para a construção da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP). Segundo o empresário Júlio Camargo, apontado como intermediário dos contratos de várias empresas com a Petrobras, houve pagamento de propina para que a obra da refinaria fosse dirigida ao consórcio.
A refinaria estava orçada em R$ 1 bilhão e Camargo afirma ter pago R$ 6 milhões ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque e ao ex-gerente de Tecnolocia Pedro Barusco. Segundo Camargo, a Camargo Corrêa pagou R$ 23,3 milhões a uma de suas empresas, a Treviso, para ele intermediar o negócio. Ele acusou Leite de controlar o pagamento das propinas aos funcionários da estatal.
A CPI está reunida no plenário 2.
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Reportagem - Antonio Vital
Edição - Natalia Doederlein