Especialista pede tipificação do terrorismo como crime e destaca vulnerabilidades do País
27/05/2015 - 11:51

O jornalista e especialista em terrorismo Marcelo Rech defendeu a tipificação do terrorismo como crime no Brasil. Em sua avaliação, o País oferece vulnerabilidades a terroristas e deve estar atento ao perigo. Como signatário de acordos internacionais, disse, o Brasil deveria adotar regras nesse sentido.
"O Brasil é um país multicultural e oferece algumas facilidades para organizações terroristas. Qualquer nome em um passaporte é aceito em qualquer país como de origem brasileira. O passaporte falso brasileiro pode custar 3 mil dólares", afirmou em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados que discute um suposto recrutamento de jovens brasileiro pelo Estado Islâmico.
Por outro lado, Rech fez um histórico de como o assunto tem sido tratado pelo governo e lembrou que há proposições em análise no Congresso Nacional sobre o assunto. "Na realidade, o governo não acredita que um atentado ocorra no Brasil ou nos países vizinhos, apesar de fatos registrados em países vizinhos", disse.
No entanto, essa ausência de ameaça poderia justamente atrair o olhar de terroristas para o País, que sediará as Olimpíadas e as Paralimpíadas de 2016.
Marcelo Rech também recomendou mais atenção do País à lavagem de dinheiro e à situação das tríplices fronteiras, especialmente a situada entre Brasil, Argentina e Paraguai, onde vivem cerca de 20 mil árabes muçulmanos. Mesmo que não haja um perigo de ataque terrorista na região, pode vir dali o financiamento de organizações internacionais por meio de lavagem de dinheiro.
Ele observou que, se por um lado o País adota uma posição humanista em relação a pessoas de outras nacionalidades, por outro pode estar permitindo a entrada de terroristas em território nacional. "É possível entrar no Brasil com passaporte com menos de seis meses de validade. Muita gente de outras nacionalidades está entrando no nosso país."
A audiência ocorre no plenário 3.
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Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Marcos Rossi