Direitos Humanos

Palestrantes equiparam mortes de negros no Brasil a genocídio

19/05/2015 - 18:44  

Durante audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Violência contra Jovens Negros e Pobres encerrada há pouco, palestrantes equiparam as mortes de jovens negros no Brasil a um genocídio.

O professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) Valter Roberto Silvério lembrou que o sociólogo Florestan Fernandes, no prefácio de um livro de Abdias Nascimento, no final da década de 70, foi quem pela primeira vez utilizou a palavra “genocídio” para descrever a situação dos negros submetidos à escravidão colonial e, posteriormente, deslocados para as periferias.

Segundo Silvério, o quadro se agravou até chegar à situação atual, em que se vive “extermínio moral e cultural com consequências econômicas”. Ele afirmou que o Brasil vive um quadro de guerra civil, em que o número de jovens negros mortos supera o de vários lugares conflagrados, como o Oriente Médio.

O presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues dos Santos, também citou a palavra “genocídio” para ilustrar a atual situação. “Essa CPI não tem a ver com negros. Ela tem a ver com a busca de soluções para que brasileiros fiquem vivos”, ressaltou.

Chacina em Salvador
O deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA) comemorou o fato de o Ministério Público ter denunciado ontem os policiais militares envolvidos no assassinato de 12 pessoas na favela da Cabula, em Salvador, ocorrido em fevereiro deste ano.

As famílias das vítimas dessa chacina foram ouvidas pela CPI em audiência pública em Brasília e também na diligência que os parlamentares fizeram à capital da Bahia. Nas duas ocasiões, os parlamentares cobraram das autoridades baianas a reabertura das investigações, que, segundo os familiares, estavam paralisadas.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Marcos Rossi

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