Unger diz que tem respaldo da presidente Dilma Rousseff
29/04/2015 - 13:03
O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, disse, em audiência pública da Comissão de Educação, que tem respaldo da presidente Dilma Rousseff para apresentar o plano preliminar de reforma da educação. “O projeto 'pátria educadora' é a prioridade número um da presidente Dilma Rousseff”, disse.
Segundo ele, as propostas de mudança radicais no sistema de educação nacional, que ele apresentou hoje aos deputados, fazem parte de uma tarefa da secretaria de traçar uma “agenda de desenvolvimento nacional para o pós-ajuste fiscal”. “Estamos tentando fazer uma agenda capacitadora e producente. Para isso, precisamos inovar nas instituições. Dentro desse contexto, a primeiríssima prioridade é o projeto 'pátria educadora'”, disse aos deputados da comissão.
Viabilidade
O deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) questionou o ministro a respeito da viabilidade de implantação de suas propostas, dentro do contexto das dificuldades políticas que o governo vem enfrentando no Congreso. “Isso não é plano de governo, é projeto de Estado. E projeto de Estado só pode ser construído por um grande consenso, que supere as divisões entre governo e oposição”, disse o ministro. “A tradição brasileira é de discutir tudo a portas fechadas. Isso é incompatível com a lógica da produção de um projeto de Estado”, concluiu.
Mangabeira também foi questionado pelos deputados a respeito da necessidade de aumento de investimentos em educação num período de ajuste fiscal, e sobre eventual oposição das categorias de servidores da educação a seus projetos – que incluem mudanças curriculares, redivisão dos recursos entre entes federativos, adoção de mecanismos meritocráticos para a escolha de diretores, implantação de escolas de excelência para formação de professores e a adoção de rede de escolas federais de referência.
Corporativismo
“O senhor vai sofrer muita oposição, até mesmo do governo, porque existe muito corporativismo e muito peleguismo na educação”, disse o deputado Izalci (PSDB-DF). “A minha estratégia, na influência limitada que eu posso ter na condução do debate, é simples: acender as luzes e ampliar o debate. E aí os representantes dos interesses corporativistas terão que prestar contas ao País”, respondeu o ministro.
Em relação ao aumento de investimentos, Mangabeira disse que o mais importante é mudar o modelo. “Estamos vivendo um momento de constrangimento fiscal evidente. Defendo que o País aumente no futuro a proporção do PIB investido em educação. Mas não adianta fazer isso sem definir antes um modelo. Isso seria jogar dinheiro fora", afirmou.
"Estamos acostumados a resolver os problemas com dinheiro. Nem tudo se revolve com dinheiro. Com muito dinheiro, mas sem ideias e inovações, não se consegue nada. Com pouco dinheiro, e com ideias e inovações, se consegue muito”, acrescentou.
A audiência foi encerrada há pouco.
Reportagem - Antonio Vital
Edição - Daniella Cronemberger