Ex-gerente do Comperj diz desconhecer superfaturamento em obra questionada pelo TCU
28/04/2015 - 17:33 • Atualizado em 28/04/2015 - 18:15
O ex-gerente do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) Jansen Ferreira da Silva disse à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras desconhecer superfaturamento na obra, praticamente paralisada hoje em função das investigações da Operação Lava Jato e das suspeitas de pagamento de propina por parte de empresas contratadas. “Nunca vi e nunca qualquer denúncia me foi encaminhada”, disse.
Jansen é engenheiro e era responsável pelo canteiro de obras. Ele foi indicado para o cargo pelo ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque e admitiu conhecê-lo há mais de 30 anos.
O custo do Comperj, estimado em 47 bilhões de dólares, foi questionado pelo Tribunal de Contas da União (TUC). Dois empresários que fizeram delação premiada à Justiça Federal, Júlio Camargo e Augusto Mendonça, da Toyo Setal, afirmaram que houve pagamento de propina na obra para os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, assim como para o ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco.
O deputado Bruno Covas (PSDB-SP) perguntou se Jansen conhecia Júlio Camargo. “Sim, eu me reunia com ele”, respondeu. O engenheiro, porém, negou qualquer irregularidade nos encontros.
O deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI, perguntou ao engenheiro se ele havia assinado algum aditivo contratual para terraplanagem que, segundo o TCU, teve sobrepreço de R$ 76 milhões – de um total de R$ 130 milhões previstos.
Jansen disse que não cabia a ele assinar contratos. “Eu apenas encaminhei os processos”, disse. Segundo ele, o tribunal questionou a justificativa de necessidade dos aditivos em função de um anexo contratual que previa indenização às empresas pelo tempo em que os equipamentos ficariam parados em caso de chuva.
“O senhor desconfiava que havia cartel por parte das empresas contratadas pela Petrobras?”, perguntou Côrtes. “Não, mas cartelização é um fenômeno”, respondeu.
A reunião da CPI já foi encerrada.
Reportagem – Antonio Vital
Edição – Marcos Rossi