Começa audiência sobre superfaturamento em refinarias da Petrobras
28/04/2015 - 10:05
Começou há pouco a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras convocada para ouvir os depoimentos de cinco pessoas, todas ligadas à estatal. Serão ouvidos, pela ordem:
- Fernando de Castro Sá, ex-gerente jurídico da Petrobras;
- Mauro Cunha, ex-integrante do Comitê de Auditoria da Petrobras;
- Jansen Ferreira da Silva, ex-gerente do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj);
- Nilo Carvallho Vieira Filho, ex-presidente do Comperj;
- Maurício de Oliveira Guedes, gerente-executivo de Engenharia para Empreendimentos de Abastecimento da Petrobras.
Os depoimentos vão ocorrer em uma reunião de uma das sub-relatorias da CPI, a de Superfaturamento e Gestão Temerária na Construção de Refinarias. O sub-relator é o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ). Segundo ele, os depoimentos são importantes porque todos os convocados têm informações internas da Petrobras. Ele cita como exemplo, Maurício Guedes. "Ele é uma pessoa que foi citada nessa questão da Operação Lava Jato. Ele tem um papel importante porque ocupou uma função de gerente-executivo. Ele sabe tudo sobre o que aconteceu ali", disse o deputado.
O nome dele foi mencionado por um dos delatores do esquema, o empresário Júlio Camargo, da empresa Toyo Setal, que disse ter havido pagamento de propinas nas obras do Comperj. Mas não há acusação de envolvimento de Guedes.
Comperj
Das cinco pessoas que serão ouvidas, duas são ligadas às obras do Comperj: o ex-presidente Nilo Carvalho Vieira Filho e o ex-gerente Jansen Ferreira da Silva.
O custo do Comperj, estimado em 47 bilhões de dolares, foi questionado pelo Tribunal de Contas da União. Além de Júlio Camargo, outro empresário que fez delação premiada, Augusto Mendonça, da Setal Óleo e Gás, afirmou que houve pagamento de propina na obra para os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, e para o ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco.
A CPI vai ouvir ainda o ex-integrante do Comitê de Auditoria da Petrobras Mauro Cunha, que era representante dos acionistas minoritários da Petrobras e saiu depois de reclamar publicamente da escolha do novo presidente da empresa, Aldemir Bendine.
Visita à Petrobras
Ontem, os membros da CPI se reuniram com a diretoria da Petrobras na sede da empresa, no Rio de Janeiro. A reunião tinha sido marcada com o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, que não pôde comparecer por motivos familiares.
No encontro, os diretores explicaram o balanço da empresa, divulgado na semana passada com a estimativa de que a Petrobras perdeu R$ 6 bilhões de reais com o esquema de corrupção. Eles também mostraram o que a Petrobras está fazendo para que isso não se repita. Os deputados saíram satisfeitos do encontro, segundo o deputado Altineu Côrtes, que participou da reunião. "A Petrobras está atendendo a CPI em todas as solicitações de documentos, enfim, a Petrobras demonstrou ali, hoje, completamente solícita a atender tudo o que a CPI precisa", disse.
Um dos assuntos tratados na reunião foi a volta dos investimentos na Petrobras, como a do próprio Comperj, que tem parte das obras paralisadas. A estatal informou aos deputados que a primeira refinaria já está 86% pronta e que a unidade de processamento de gás do complexo será inaugurada em 2017.
A Petrobras se comprometeu a divulgar, até junho, o cronograma de retomada dos investimentos da companhia.
A audiência da CPI ocorre no plenário 6.
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Reportagem - Antonio Vital
Edição - Natalia Doederlein