Deputados cobram retomada de investimentos da Petrobras para evitar crise no setor naval
Sindicalista prevê demissão de 40 mil pessoas no setor nos próximos meses por causa da crise na estatal, que tem rescindido contratos e atrasado pagamentos
22/04/2015 - 12:03

Em audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle; e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, deputados cobram a retomada de investimentos da Petrobras como maneira de tirar a indústria naval e a economia de dezenas de municípios da crise causada pela paralisação de obras contratadas pela estatal.
A audiência foi convocada para discutir os impactos e os efeitos da Operação Lava Jato na economia e no índice de emprego do Brasil.
O presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, deputado Vicente Cândido (PT-SP), propôs a revisão do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), instrumento usado pela Petrobras nas contratações no lugar da Lei de Licitações. “O RDC permite a contratação de obras sem projeto básico e é uma das causas das irregularidades descobertas pela Operação Lava Jato”, disse.
Na audiência pública, o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, e o prefeito do município gaúcho de São Jeronimo (RS), Marcelo Luiz Schreinert, traçaram um quadro sombrio causado pela paralisação de obras e encomendas, o que pode causar até 40 mil demissões no País em quatro meses.
“Temos que trazer aqui urgentemente o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, para explicar a situação da empresa”, disse o deputado Valtenir Pereira (Pros-MT), autor do requerimento para a realização da audiência pública.
O deputado Augusto Coutinho (SD-PE) reclamou que a Petrobras não está pagando seus fornecedores. Já o deputado Edinho Bez (PMDB-SC) disse que o assunto deve ser aprofundado para que o Congresso ajude a encontrar uma solução. “Temos que trazer aqui trabalhadores, indústria e representantes do governo para analisar o que pode ser feito”, disse.
Na audiência, o prefeito de São Jerônimo, cidade afetada pela rescisão do contrato da Petrobras com a Iesa para construção de módulos de exploração de petróleo, contou que a situação financeira da empresa contratada já estava comprometida antes mesmo da Operação Lava Jato. “A Petrobras mudou o projeto contratado, o que fez aumentar o custo de produção, sem que houvesse aumento de pagamento”, disse o prefeito.
A deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) apontou a responsabilidade da Petrobras. “Houve uma encomenda e depois houve uma alteração do projeto, com aumento de custo, sem aumento de pagamento”, disse.
Não há representantes da Petrobras na audiência, que continua no plenário 9.
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Reportagem - Antonio Vital
Edição - Natalia Doederlein