Política e Administração Pública

Presidente do BNDES começa a depor na CPI da Petrobras

16/04/2015 - 10:35   •   Atualizado em 16/04/2015 - 10:37

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Começou há pouco o depoimento do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. O executivo foi convocado para explicar o financiamento do banco a empresas investigadas pela Operação Lava Jato, que apura desvio de dinheiro e pagamento de propina na Petrobras.

Neste momento, Coutinho faz uma apresentação sobre a criação e o funcionamento da empresa Sete Brasil.

O BNDES foi uma das fontes de financiamento da empresa Sete Brasil, criada pela Petrobras em 2011 para construir sondas de perfuração para a exploração do pré-sal. O projeto também contou com recursos dos fundos de pensão Petros, Previ (do Banco do Brasil), Valia (da Vale do Rio Doce), Funcef (da Caixa Econômica Federal), Petrobras e dos bancos BTG Pactual, Bradesco e Santander.

Em 2011, a Petrobras lançou licitação para construir 28 sondas e a Sete Brasil negociou contratos com vários estaleiros: Rio Grande (da Engevix), Jurong, Kepel Fels e o Enseada do Paraguaçu (do consórcio Odebrecht, OAS, UTC e Kawasaki).

A Sete Brasil venceu as licitações da Petrobras. Os contratos de operação eram de 500 mil dólares por dia de operação para as primeiras sete sondas e de 530 mil dólares para as outras 21. Totalizando 22 bilhões de dólares.

Em janeiro de 2014, antes de deflagrada a Operação Lava Jato, o BNDES aprovou apoio financeiro no valor de R$ 8,8 bilhões para a Sete Brasil. Aprovou ainda que sua empresa de participações, a BNDESPAR, subscrevesse até R$ 1,2 bilhão de debêntures conversíveis em ações a serem emitidas pela holding Sete Brasil Participações S.A.

Divisão da propina
Segundo depoimento do ex-gerente de Tecnologia da Petrobras Pedro Barusco, nomeado diretor da Sete Brasil, houve pagamento de propina de 1% para os contratos entre a Sete Brasil e os estaleiros – percentual reduzido depois para 0,9%. Barusco afirma que essa combinação teria sido feita com o ex-teroureiro do PT João Vaccari Neto e os estaleiros.

Ainda de acordo com o depoimento de Barusco, em delação premiada, a propina era distribuída da seguinte maneira: 2/3 para Vaccari e 1/3 para a “Casa” – ou seja, para os diretores da Sete Brasil: Barusco, João Carlos de Medeiros Ferraz (presidente da Sete Brasil) e Eduardo Musa (diretor de Participações).

Ele informou ainda que a propina destinada a Vaccari tinha origem nos contratos firmados entre a Sete Brasil e os estaleiros Atlântico Sul, Enseada do Paraguaçu, Rio grande e Kepel Fels. E que a propina destinada à “Casa” tinha origem nos contratos firmados entre a Sete Brasil e os estaleiros Kepel Fels e Jurong.

Outras operações
O BNDES também financiou outras empresas investigadas na Lava Jato: Camargo Correa, Odebrecht, Queiroz Galvão, UTC, Mendes Júnior, Galvão Engenharia, OAS, Engevix e Iesa.

Os empréstimos, alguns em fase de análise, tem como objetivo financiar outras operações, como construção de estradas.

A CPI continua reunida no plenário 2.

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Reportagem - Antonio Vital
Edição - Natalia Doederlein

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