Política e Administração Pública

CPI da Petrobras antecipa para 9 de abril depoimento do tesoureiro do PT

31/03/2015 - 18:06  

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública para ouvir o depoimento do ex-gerente de Implementação de Empreendimentos para a Refinaria Abreu e Lima (Renest), Glauco Colepicolo Legatti. Deputados (E) Antonio Imbassahy (PSDB-BA) e Luiz Sérgio (PT-RJ)
Na presidência interina da CPI, Antônio Imbassahy (E) mudou a data do depoimento de João Vaccari Neto, contrariando o relator, Luiz Sérgio (D)

O próximo depoimento marcado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras é o de Hugo Repsold Júnior, nomeado em fevereiro diretor de Gás e Energia da Petrobras. Ele foi gerente-executivo de Gás e Energia da empresa e foi chamado para falar da construção do gasoduto Gasene, entre o Espírito Santo e Bahia. Ele será ouvido no próximo dia 7 de abril.

Mas o depoimento mais aguardado é o do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, marcado para o dia 9 abril pelo presidente em exercício da CPI, deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA). No início do depoimento do ex-gerente geral da Refinaria Abreu e Lima, Glauco Legatti, o relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), havia anunciado que Vaccari seria ouvido apenas no dia 23 de abril.

A antecipação, anunciada por Imbassahy ao final do depoimento, irritou o relator. “A meu ver, o presidente em exercício está fazendo uma mudança para pior”, reagiu Luiz Sérgio. “Vamos ouvir o tesoureiro do PT antes de ouvir algum empresário”, disse. Luiz Sérgio disse que isso é uma manobra para fazer “propaganda” de uma manifestação contra o governo marcada para o dia 12 de abril.

“Eu e o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), havíamos combinado um cronograma que tem uma lógica e essa lógica foi alterada pelo presidente em exercício”, protestou Luiz Sérgio.

Vaccari está sendo processado por lavagem de dinheiro pelo Ministério Público Federal e é apontado por delatores do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras como arrecadador de propinas de empresas contratadas pela estatal.

Luta política
O deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) acusou o presidente em exercício da CPI de transformar a comissão em palco de uma luta política. “Não há iniciativa partidária na convocação, prevista em cinco requerimentos aprovados”, rebateu Imbassahy.

Luiz Sérgio ainda tentou mudar as datas e propôs ouvir o empresário Augusto Mendonça Neto, da empresa Toyo Setal, no dia 9, e Vaccari no dia 14. “Seria importante ouvir um empresário primeiro”, disse. Imbassahy se manteve irredutível.

Mendonça Neto será ouvido, então, em 14 de abril. Ele disse, em depoimento no processo de delação premiada, que pagou propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, dinheiro que seria destinado ao PT. Segundo o empresário, a propina destinada ao PT somou R$ 4 milhões entre 2008 e 2011, referente a obras da Refinaria do Paraná (Repar).

Em seguida, no dia 16 de abril, será ouvido o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. O BNDES financiou a criação da empresa Setebrasil, formada para construir sondas de perfuração do pré-sal. A empresa subcontratou estaleiros que teriam efetuado o pagamento de propinas a diretores da Petrobras e a Vaccari, de acordo com o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco e com o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa.

Com a alteração no cronograma e a antecipação do depoimento de Vaccari, ficou sem data marcada a próxima reunião para votação de requerimentos de convocação de novos depoentes, como o empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado pela Polícia Federal como operador do PMDB. “É incrível não termos votado a convocação dele até hoje”, reclamou o deputado Ivan Valente (Psol-SP).

Reportagem – Antonio Vital
Edição – Marcos Rossi

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