Relações exteriores

Comissão de deputados acompanhará prisão de prefeito na Venezuela

03/03/2015 - 17:05   •   Atualizado em 03/03/2015 - 20:30

O Plenário da Câmara aprovou pedido do deputado Rubens Bueno (PPS-PR) e criou comissão externa de deputados para acompanhar como ocorreu a prisão do prefeito de Caracas (Venezuela), Antonio Ledezma, pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

Para o autor do requerimento, a Venezuela merece a presença do Brasil para, “em nome do Parlamento brasileiro, demonstrar que o País não está de olhos fechados para tudo o que acontece”. Ele cobrou mais democracia e justiça no país vizinho.

Divergências
Deputados do PT e do Psol criticaram a criação da comissão. O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) denunciou invasão na soberania da Venezuela pelos parlamentares e rebateu com uma proposta de uma comissão externa para investigar a evasão de divisas e sonegação pela filial suíça do banco britânico HSBC.

Essa proposta teve apoio do Psol. O deputado Ivan Valente (Psol-SP) disse que são mais de 8 mil contas bancárias ligadas a brasileiros que poderiam estar envolvidos no escândalo.

Mesmo sob protestos dos petistas, a proposta de criar a comissão externa sobre a Venezuela teve amplo apoio em Plenário, inclusive entre parlamentares da base governista. O líder do PR, deputado Maurício Quintella Lessa (AL), disse que os dois países são parceiros comerciais e, portanto, interessa ao Brasil o que se passa na Venezuela. “Temos interesses mútuos muito presentes, queremos saber o que está acontecendo naquele país”, disse.

Já o deputado Abel Mesquita Jr. (PDT-RR) explicou que o presidente venezuelano Nicolás Maduro tem de explicar o motivo da prisão do prefeito de Caracas, opositor ao regime.

O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), defendeu a investigação parlamentar. “Cabe à nação brasileira acompanhar os episódios que ocorreram na Venezuela: a morte de um garoto pelas forças policiais; a cassação sumária de uma deputada; e a prisão do prefeito de Caracas”, defendeu.

Moção de repúdio
Na semana passada, o Plenário da Câmara aprovou uma moção de repúdio à atuação do governo da Venezuela por “quebra do princípio democrático, com ofensa às liberdades individuais e ao devido processo legal”.

Proposta pelo deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), a moção cita a prisão de oposicionistas políticos, como Leopoldo López e o prefeito de Caracas, além do confisco de bens privados, perseguição a jornalistas e censura à imprensa. PT, PCdoB e PSol foram contrários à moção.

Reportagem – Eduardo Piovesan e Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli

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