Ex-diretor da Petrobras nega saber de propina e defende compra de Pasadena
Ildo Sauer prestou depoimento informal a parlamentares da oposição que integram a CPI Mista que investiga a estatal; na próxima quarta-feira (10), deve ser apresentado o relatório final da comissão.
03/12/2014 - 19:52

Em uma reunião informal comandada por parlamentares da oposição que integram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, o ex-diretor de Gás e Energia da estatal Ildo Sauer negou, nesta quarta-feira (3), conhecimento sobre qualquer esquema de corrupção e propina na empresa, como foi denunciado pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal.
“Eu nego, veementemente, qualquer afirmação desse tipo, até porque a minha diretoria não conduzia obra nenhuma. As obras eram conduzidas pela diretoria de Engenharia”, afirmou, durante mais de duas horas de depoimento aos deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Carlos Sampaio (PSDB-SP), Ênio Bacci (PDT-RS), Arnaldo Jordy (PPS-PA) e Izalci (PSDB-DF).
A reunião informal foi realizada após o vice-presidente da CPMI, senador Gim (PTB-DF), abrir e encerrar em seguida a reunião oficial por causa da sessão do Congresso Nacional para votar vetos presidenciais e o projeto de lei (PLN 36/14) que altera a forma de cálculo do resultado fiscal do governo.
Pasadena
Durante toda a reunião, Sauer defendeu a aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. “Se os documentos entregues à diretoria de fato representavam a realidade, não consigo até hoje ver nada de errado na decisão de adquiri-la e pelo preço que adquiriram”, disse. Ele apresentou uma nota técnica de 36 páginas com explicações sobre a aquisição da refinaria.
Segundo ele, se tivesse sido cumprido o projeto original de Pasadena, nos Estados Unidos, para renovar o parque de refino (conhecida como revamp) para processar o petróleo pesado, a empresa poderia ter lucrado 845 milhões de dólares. A estatal, porém, decidiu não fazer o revamp pela mudança no cenário mundial, em especial com a descoberta e uso crescente do gás de xisto pelos Estados Unidos; e devido à estratégia de investimentos da estatal, em particular depois da descoberta do pré-sal em 2006.
O Tribunal de Contas da União (TCU), em acórdão de julho, incluiu Sauer como um dos responsáveis por um prejuízo de 92,3 milhões de dólares do descumprimento da sentença arbitral que determinava a compra da segunda metade da refinaria da empresa belga Astra Oil. O TCU aponta prejuízo total de 792 milhões de dólares no negócio.
A corte, porém, isenta de responsabilidade a presidente da República, Dilma Rousseff, que presidia o conselho de administração da estatal na época em que o negócio foi aprovado, em 2006. A compra da refinaria é um dos quatro eixos de investigação da CPMI.
O deputado Izalci criticou a versão de que a compra de Pasadena teria sido um bom negócio. “A refinaria de Pasadena não conseguia comprador. Só conseguiu depois que o vice-presidente da Astra Oil, Alberto Feilhaber, ex-funcionário da Petrobras, fez o contato com o Nestor Cerveró [ex-diretor da Área Internacional da estatal].”
Para Lorenzoni, o ex-diretor realmente buscou trabalhar por um projeto que acreditava pela empresa. “Ele realmente estava movido de bons propósitos, o que a gente não pode dizer dos demais que aqui estiveram, jogando na desinformação”, afirmou.
Relatório final
O depoimento de Ildo Sauer foi o último da CPMI, já que está marcada para a próxima quarta-feira (10) a apresentação do relatório final do deputado Marco Maia (PT-RS). Maia afirmou que gostaria de votar o texto até 18 de dezembro, pouco antes do encerramento da comissão, em 22 de dezembro. Ele está de licença-médica desde 8 de novembro, após um acidente de moto.
Na opinião de Onyx Lorenzoni, o relatório final de Marco Maia será incompleto. “Ele foi colocado pra fazer algo que não produzisse resultado, vai estar cumprindo uma missão. A gente não pode ser ingênuo”, afirmou.
Para o deputado Afonso Florence (PT-BA), que está como relator substituto até o retorno de Maia, a expectativa é produzir um relatório com base nos documentos que chegaram à comissão. “É mais uma espetacularização dos deputados de oposição, que não investigam, mas jogam para a plateia o tempo todo”, respondeu. Florence não participou da reunião informal com Sauer.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Marcos Rossi