Política e Administração Pública

Divergências com o governo levaram à sua demissão, diz Sauer

03/12/2014 - 19:53  

O ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras Ildo Sauer afirmou nesta quarta-feira (3) que sua demissão em 2007 não aconteceu por deixar de aceitar o esquema de propina delatado pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa – preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal –, mas por discordar de algumas decisões tomadas pelo governo.

Em uma reunião informal comandada por parlamentares da oposição que integram a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, o ex-diretor citou divergência, por exemplo, na venda de gás pela metade do custo para fazer uma usina no Ceará. “Quando o setor elétrico ia mal, ela queria empurrar para a Petrobras coisa que a Petrobras não poderia e não deveria fazer. E eu não fiz”, disse, em relação à então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.

Ele criticou também a conduta de Dilma Rousseff, na época presidente do Conselho de Administração da Petrobras. “Eu sempre achei que ela tinha mais capacidade de buscar culpados e não soluções”, afirmou. O ex-diretor, porém, não jogou para o conselho toda a responsabilidade pela aprovação da compra de Pasadena. De acordo com Sauer, a decisão do conselho é baseada nas análises das diretorias, que também têm peso na decisão.

Sauer disse que não assumiu a diretoria de Gás e Energia por indicação política, mas porque foi um dos responsáveis por elaborar os três planos de governo na área de energia apresentados pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em 1994, 1998 e 2002. “Não me sinto apadrinhado em nada. Eu era membro do staff de energia”, afirmou.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Marcos Rossi

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