Economia

Copa deve elevar turismo brasileiro a outro patamar, afirma ministro

Em audiência na Câmara, Vinicius Lages defendeu planejamento a longo prazo, investimentos em infraestrutura e aumento dos voos internacionais para atrair mais visitantes. Segundo ele, País tem potencial para se tornar a 3ª maior potência turística do mundo.

04/06/2014 - 20:21  

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre os Planos e Programas do Ministério do Turismo (MTur) para o ano de 2014. Ministro do Turismo, Vinicius Nobre Lages
Vinicius Lage: 62% dos estrangeiros que virão para a Copa estarão no País pela primeira vez.

Em audiência pública com deputados da Comissão de Turismo, nesta quarta-feira (4), o ministro do Turismo, Vinicius Lages, ressaltou que a Copa do Mundo representa uma oportunidade para elevar o setor a um novo patamar. Na opinião dele, o País terá de “aproveitar as 3,6 bilhões de pessoas que vão receber imagens do torneio e atuar sobre esses mercados”.

De acordo com Lages, são esperados cerca de 600 mil turistas estrangeiros durante o mundial, e 62% deles estarão pela primeira vez no Brasil. De imediato, o impacto do evento será pouco significativo para o setor, porém há grandes expectativas, informou ele. Daí a necessidade de investimentos crescentes na área, não só para garantir que os torcedores voltem, mas para atrair novos visitantes.

Conforme o ministro, dos 6 milhões de turistas estrangeiros que visitam o Brasil todo ano, entre 95% e 97% manifestam intenção de voltar. “O grande atributo brasileiro é a hospitalidade”, declarou.

Planejamento
Com os recursos e as estratégias adequadas, conforme Lages, o País tem potencial para se tornar a terceira maior potência turística do mundo. Com instrumentos similares aos destinados ao agronegócio, o setor pode responder por 10% do Produto Interno Bruto (PIB), defendeu o ministro. Hoje, o segmento corresponde a 3,6%.

Para isso, além da elaboração de um planejamento de longo prazo, seria necessário, por exemplo, aumentar o número de voos internacionais, principalmente para os chamados Brics, maiores emissores de turistas do planeta, segundo Lages. O Brasil precisa também entender o perfil do novo turista, que planeja seus próprios roteiros. Assim, pontuou ele, deve-se investir em informação acessível.

Estratégias
No entanto, para a deputada Magda Mofatto (PR-GO), o maior desafio é atrair o turista novo. “O estrangeiro tem medo de vir ao Brasil por causa da violência. Não estamos achando os mecanismos necessários para divulgar que esse problema há no mundo inteiro e, se o Brasil tem mais, é pontual”, argumentou.

Outro ponto crucial para o desenvolvimento do setor, como destacou o deputado José Carlos Vieira (PSD-SC), é o investimento público. Em sua opinião, “com orçamento de R$ 1,7 bilhão, a maior parte contingenciada, não dá para fazer nada”.

O parlamentar ressaltou que, no ano passado, o Brasil arrecadou R$ 1,5 trilhão. Para recuperação de estradas do Brasil inteiro, no entanto, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) recebeu “apenas R$ 14 bilhões, o que não chega a 1% da arrecadação, e para o turismo foi 0,1%”.

Autor do requerimento para a realização da audiência, o deputado Renato Molling (PP-RS) também sustentou que o País “precisa ter foco”. “Existe muito americano que gostaria de fazer cirurgia no Brasil, porque a medicina aqui é excelente e o custo muito menor, porém, devido à dificuldade de visto, vai para outros países”, exemplificou.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Marcelo Oliveira

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