Especialistas defendem novos materiais para combater incêndios
A Comissão de Desenvolvimento Urbano discutiu medidas para aprimorar o projeto que exige mais segurança contra incêndios em ambientes fechados.
21/05/2014 - 15:05

A Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados discutiu nesta quarta-feira (21), com especialistas, medidas para aprimorar o projeto que exige mais segurança contra incêndios em ambientes fechados (PL 4923/13). A proposta, de autoria da deputada Nilda Gondim (PMDB-PB), traz exigências para o funcionamento de casas de shows, bares, restaurantes e boates, além de tornar mais rigorosa a liberação de alvarás de funcionamento.
O executivo de segurança e proteção ativa de combate a incêndios da empresa 3M do Brasil, Adelmiro Mendes Ferreira, sugeriu incluir na proposta o reconhecimento do agente químico como tecnologia ideal para combate a incêndios, no lugar da água, como ocorre na Europa.
Ele deu um exemplo: na construção de uma sala de informática, a empresa habitualmente inclui o agente químico como proteção de combate. Mas na vistoria dos bombeiros, exige-se a canalização de água para evitar incêndios. "O que nós queremos é fazer com que ele [agente químico] seja reconhecido, que o ambiente que tem a tecnologia agente químico não precise de água, porque ele é suficiente”, disse.
Aldemiro Mendes também sugeriu a inclusão das regras, na proposta, para todos os ambientes com grandes aglomerações, como bibliotecas e museus.
Classificação de materiais
O consultor internacional sobre incêndios Juergen Troitzsch afirma que é possível usar materiais de pouco potencial inflamável. Ele sugeriu um sistema unificado de classificação de material e de testes de flamabilidade, como na Europa. A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Retardantes de Chama (Abichama), Lilian Salim, salientou a importância de um regulamento nesse sentido.
"A gente tem televisão, que logo ao lado pode ter uma cortina, que logo embaixo pode ter um carpete, que pouco mais à esquerda pode ter um sofá, quiçá um colchão e aí, com isso, a propagação de chama que possa existir simplesmente por um pedaço de plástico, que é uma televisão, pode ser muito mais catastrófica”, exemplificou.
Votação

O relator da proposta, deputado Mauro Mariani (PMDB-SC), deve acatar algumas sugestões. "Ficou muito claro que nós podemos e devemos pensar na questão dos materiais a serem utilizados nos ambientes de grande público. Então, eu penso que é nessa linha. A própria autora [do projeto] entende assim”, disse o deputado.
Mauro Mariani acredita que o texto deve ser votado em até 30 dias.
Reportagem - Luiz Cláudio Canuto
Edição – Janary Júnior