Política e Administração Pública

Oposição busca apoio para CPMI da Petrobras; governo alega caráter político

As lideranças de partidos da oposição esperam reunir até amanhã assinaturas para criar comissão mista de inquérito. Líder do governo diz que investigação parlamentar não irá além da investigação já conduzida pelo Ministério Público, Polícia Federal, Tribunal Contas da União e Controladoria Geral da União.

01/04/2014 - 13:58  

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Líder do PPS na Câmara, dep. Rubens Bueno (PR) fala sobre a viabilização da CPI Mista da Petrobrás
Rubens Bueno: obter assinaturas para criar comissão mista será tarefa fácil. 

As lideranças dos partidos de oposição na Câmara vão tentar reunir, até amanhã (2), as assinaturas necessárias para a criação da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) da Petrobras. A decisão foi tomada em reunião de líderes do PSDB, DEM, PPS e Solidariedade na Liderança do PSDB no Senado.

O foco principal são os episódios da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos; o contrato para a construção da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco; e as denúncias de corrupção no contrato com a empresa holandesa SBM Offshore, que fornece equipamentos para a Petrobras. Na avaliação do líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), a missão será fácil.

“Como o Senado já registrou o requerimento, então é fácil de você identificar rapidamente com as bancadas nossas e buscar as assinaturas daqueles que já assinaram. Nós temos hoje 192 assinaturas e nesse sentido então nós vamos buscar os mesmos deputados de hoje para amanhã e fazer acontecer as novas assinaturas porque é muito importante para registrar”, explicou.

Segundo o líder do PSDB no Senado, senador Álvaro Dias (PR), se o presidente do Senado, Renan Calheiros, fizer a leitura de criação da CPI Mista, vai ser retirado o pedido de CPI do Senado para prevalecer a CPI Mista.

TV CÂMARA
ARLINDO CHINAGLIA 1203
Chinaglia: CPMI não irá além da investigação feita por órgãos República como MP, PF, TCU e CGU

Caráter político
O líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (SP), afirma que a ideia de uma CPMI para Petrobras tem caráter político. “Nós temos a Polícia Federal investigando, Ministério Público investigando, Tribunal de Contas da União investigando, CGU investigando. Nunca aconteceu de uma CPI ir além dos quatro órgãos da República responsáveis por fiscalizar e investigar, até pelo profissionalismo que eles têm”, avaliou.

O líder do governo afirma que não há disposição da liderança em pedir para deputados retirarem suas assinaturas da CPI. O líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP), afirmou que defenderia a CPI se o objeto de investigação fosse ampliado para os contratos da Alstom no metrô de São Paulo; e as denúncias envolvendo o Porto de Suape, em Pernambuco, e a Cemig, Companhia Energética de Minas Gerais.

No entanto, para o senador Álvaro Dias, isso violaria o regimento. “Não há como misturar água com óleo. Metrô é metrô, Petrobras é Petrobras. Se o governo deseja investigar cartel de metrôs, e aí tem São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e Brasília, que proponha uma nova CPI. Eu não coloco da minha parte nenhum obstáculo, ao contrário, coloco minha assinatura”.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Rachel Librelon

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