Relações exteriores

DEM vai formalizar pedido de refúgio no País para cubana que abandonou o Mais Médicos

Ramona Matos Rodriguez fugiu de Pacajás (PA), onde atuava no programa do governo, e está desde ontem abrigada na liderança do DEM, na Câmara.

05/02/2014 - 14:48  

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Coletiva com Ramona Matos Rodriguez, médica cubana que esta abrigada na sala da Liderança do Democratas, após fugir de Pacajá, no Pará, onde trabalhava no programa Mais Médicos desde outubro
Ramona Rodriguez, ao lado de Caiado, disse que não podia visitar outras cidades sem consultar médicos cubanos que participavam do programa.

O vice-líder do DEM deputado Ronaldo Caiado (GO) afirmou, após reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que o partido deverá formalizar até o final da tarde desta quarta-feira (5) o pedido de refúgio no País para a médica cubana Ramona Matos Rodriguez. Ela abandonou o programa Mais Médicos, pelo qual atuava desde o final do ano passado em Pacajá, no interior do Pará.

Ramona pediu abrigo à liderança do DEM na Câmara dos Deputados na terça-feira (4), depois de suspeitar de que estava sendo vigiada pela Polícia Federal (PF) após deixar o Pará no sábado (1º).

De acordo com a Lei 9.474/97, o Brasil poderá reconhecer como refugiado a pessoa que, “devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país”. A lei define mecanismos para a implementação, no Brasil, do Estatuto dos Refugiados, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Desvinculação
O ministro da Justiça disse que não há qualquer justificativa para a cubana estar sendo monitorada ou investigada pela PF porque, segundo ele, enquanto estiver vinculada ao Mais Médicos, Ramona tem licença para trabalhar no País como médica. Cardozo afirmou que o Ministério da Justiça e a Polícia Federal estão abertos para eventuais denúncias de apurações ilegais sobre o caso.

Para relator do programa Mais Médicos, atitude de médica cubana é política.

Até o momento, de acordo com o ministro, o Ministério da Saúde não desvinculou Ramona Rodriguez do Mais Médicos. Cardozo explicou ainda que, se ela for excluída do programa, aí, sim, perderá o visto e a licença para atuar como médica no Brasil e poderá ser deportada.

No entanto, o ministro informou ao Democratas que, uma vez formalizado o pedido de refúgio no Ministério da Justiça, a lei permite que Ramona permaneça no País até o julgamento do processo. Durante esse período, ela poderá, inclusive, trabalhar, mas, para exercer a medicina, terá de se submeter à legislação comum ligada ao setor e não mais às regras simplificadas que regem o Mais Médicos.

Reclamações da médica
Em coletiva à imprensa mais cedo, Ramona Rodriguez relatou que se sentia vigiada e que não tinha liberdade para viajar a outras cidades sem ter de comunicar a médicos cubanos que também participam do programa.

Ela contou sentir-se ainda enganada porque, enquanto médicos brasileiros e de outras nacionalidades recebem R$ 10 mil pelo Mais Médicos, ela recebe apenas 400 dólares, cerca de R$ 900. Pelo contrato assinado em Cuba, Ramona também recebia 600 dólares (R$ 1.350, aproxidamente) depositados todo mês em uma conta-poupança de seu país de origem.

Reportagem - Ana Raquel Macedo
Edição - Marcelo Oliveira

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