Telefônicas defendem aprovação da Lei Geral das Antenas para unificar regras

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, executivos das empresas ressaltam que há mais de 250 leis municipais restringindo a instalação de antenas; presidente da comissão que analisa o projeto de lei cobra mais investimentos após aprovação.
Da Agência Câmara - 23/10/2013 - 20:04
Audiência público da C. E. PL 5013/13 do Senado Federal , sobre
Marcos Mesquita, da Oi-Telemar, disse que lei será divisor de águas ao obrigar municípios a adequarem suas normas. - Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

Representantes das operadoras de telefonia celular defenderam nesta quarta-feira (23) a aprovação do projeto da Lei Geral das Antenas (PL 5013/13), que cria regras nacionais para a instalação de infraestrutura de telecomunicações.

Para o diretor de Relações Institucionais da Oi-Telemar, Marcos Mesquita, a principal vantagem da proposta é acabar com a diversidade de legislações municipais. “Teremos com essa lei um divisor de águas, os municípios terão de adequar suas leis ou editar novas”, sustenta.

De acordo com o diretor de Relações Institucionais da Vivo, Enylson Flávio Martinez Camolesi, existem hoje mais de 250 leis sobre o assunto em vigor. Camolesi reclama que, ao contrário das leis europeias, as nacionais, em sua maioria, são restritivas, sem apresentar soluções.

Em algumas cidades, a legislação chega a proibir a instalação de antenas, como é o caso de Aracaju (SE). Segundo o diretor Institucional da Claro, Fábio Augusto Andrade, ocorre, inclusive, de a prefeitura derrubar antenas instaladas pelas operadoras. “É uma luta”, ressalta.

Novas regras

Pelo PL 5013/13, a regulamentação e a fiscalização de aspectos técnicos das redes e dos serviços de telecomunicações é competência exclusiva da União. Estados, municípios e o Distrito Federal são proibidos de impor condicionamentos que possam afetar a seleção de tecnologia, a topologia das redes e a qualidade dos serviços prestados.

O projeto já foi aprovado no Senado e, como foi encaminhado a mais de três comissões de mérito na Câmara dos Deputados, está sendo analisado por comissão especial, que realizou hoje a segunda audiência pública sobre o tema. Na semana passada, foi ouvido o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Audiência público da C. E. PL 5013/13 do Senado Federal , sobre
Presidente da comissão que analisa o projeto, Hugo Motta afirmou que a aprovação vai permitir melhor qualidade dos serviços. - Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

Tramitação rápida

Embora ressalve não querer antecipar a proposta do relator, deputado Edson Santos (PT-RJ) – ausente da audiência porque está viajando –, o presidente da comissão, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), acredita que o ideal seria aprovar o texto sem alteração, para que possa ser rapidamente sancionado.

Para o deputado, a aprovação da nova lei é importante principalmente para permitir melhor qualidade dos serviços para a população. A partir de sua entrada em vigor, afirma, as empresas não poderão mais alegar que a responsabilidade pelos problemas recai sobre os prefeitos. Mota garante que, após a aprovação, os deputados “não vão aceitar mais que as empresas venham dizer que não investem porque a legislação não deixa”.

Tecnologia 4G

A ampliação da rede instalada é fundamental para permitir o funcionamento da tecnologia de banda larga de quarta geração (4G). O diretor Institucional da Claro, Fábio Augusto Andrade, destaca que em dezembro esses celulares com 4G chegam ao País, e, se a nova lei não for aprovada, “vai haver um colapso” do setor.

Audiência público da C. E. PL 5013/13 do Senado Federal , sobre Normas gerais de política urbana e de proteção à saúde e ao meio ambiente associadas à implantação e ao compartilhamento da infraestrutura de telecomunicações. Diretor Institucional da Claro Serviços de Telecomunicações do Brasil S/A, Fábio Augusto Andrade
Para Fábio Andrade, da Claro, chegada dos celulares 4G causará colapso se a lei não for aprovada. - Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados

Conforme explicou Mesquita, o 4G utiliza ondas de frequência mais altas que as demandadas pelo 3G, e, quanto mais alta a frequência, menor a área de cobertura. Por isso, para atender o mesmo número de clientes com a mesma qualidade de serviço, é preciso um número maior de antenas.

As empresas também têm o compromisso de oferecer essa tecnologia às cidades-sede da Copa do Mundo, no ano que vem.

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