Política e Administração Pública

Alves diz que Legislativo atenderá às exigências populares

Em sessão solene de comemoração aos 25 anos da Constituição, presidente da Câmara diz que sistema federativo precisa ser readequado.

09/10/2013 - 11:29  

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, acaba de abrir a sessão solene de comemoração aos 25 anos da Constituição Federal de 1988 e de outorga da Medalha Assembleia Nacional Constituinte, cunhadas na Casa da Moeda a pedido do presidente da assembleia, Ulysses Guimarães. As medalhas ficaram no cofre da Câmara durante 25 anos e foram resgatadas por Alves. “Serão destinadas a pessoas e instituições marcantes na elaboração da Carta Constitucional”, explicou.

Alves, que foi deputado constituinte, lembrou que, na época das “Diretas Já”, o povo foi às ruas por mais liberdade e democracia. “Agora o povo, espontaneamente, voltou às ruas, tal como ocorreu no período de transição democrática que antecedeu a Constituição”, ressaltou.

Leia a íntegra do discurso de Henrique Eduardo Alves.

De acordo com Alves, hoje a exigência popular volta-se para duas vertentes: de um lado, a cobrança pela prestação de serviços públicos de qualidade; e de outro, o anseio por mais ética na vida pública. “Guiado pela Carta, o Poder Legislativo não se omitirá, nem faltará às suas responsabilidades para com o povo e o país diante do futuro e do desconhecido”, salientou.

O presidente ressaltou que a Constituição marca o fim do período autoritário no Brasil. “Hoje celebramos a democracia”, disse. “Há 25 anos, o Brasil transpôs um momento sombrio da sua história, quando as liberdades não eram respeitadas e a cidadania representava um sonho distante”, completou. Segundo ele, o Parlamento resistiu ao regime autoritário e “manteve viva a chama da democracia”. “Aqui foram criadas as condições históricas para a transição para o regime democrático”, destacou.

Principais conquistas
Conforme Alves, a Assembleia Constituinte a Casa funcionava 24 horas por dia. “Foram 20 meses discutindo e votando mais de 60 mil emendas, centenas de propostas, algumas com milhões de assinaturas; foram mais de 24 mil horas de discursos e debates”, afirmou. “A Constituição de 1988 pode não ser perfeita, mas traduz os anseios da maioria do povo brasileiro”, salientou. De acordo com ele, o Legislativo “às vezes é injustiçado, mas não deixa de cumprir o papel de representar os brasileiros”.

O presidente lembrou ainda que a Constituição consagrou a liberdade de imprensa, baniu a censura, restabeleceu direito de organização e o voto direto, e assegurou conquistas sociais, como o direito à educação e o acesso de todos os brasileiros aos serviços de saúde. Além disso, estabeleceu a igualdade entre homens e mulheres. “Pioneira, incluiu o meio ambiente saudável entre os direitos fundamentais da população”, acrescentou.

Alves também ressaltou que a Carta estabeleceu que os poderes da República são independentes e harmônicos e estabeleceu austeridade fiscal. “Ela desenhou o sistema federativo, que precisa ser readequado hoje. Temos consciência disso”, disse.

A sessão solene foi solicitada pelos deputados Alessandro Molon (PT-RJ), Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Vicentinho (PT-SP), Paes Landim (PTB-PI) e pela Comissão Especial de Aprimoramento das Instituições Brasileiras da Câmara.

Reportagem – Lara Haje e Luiz Cláudio Canuto
Edição – Daniella Cronemberger

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