Vereadora baiana nega que tenha recebido dinheiro para intermediar adoções
27/11/2012 - 14:23

A vereadora Maria Elizabete de Abreu Rosa, da cidade baiana de Encruzilhada, negou nesta terça-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas que tenha intermediado qualquer adoção ilegal. Ela foi acusada pelo programa Conexão Repórter, do SBT, de participar de um esquema de venda de crianças pobres para famílias ricas. A vereadora, no entanto, afirmou que os flagrantes filmados foram armados por adversários políticos.
"Eu nunca negociei nada com ninguém", afirmou. Uma das pessoas envolvidas na denúncia, segundo ela, recebeu durante muito tempo depósitos mensais do programa Conexão Repórter.
Elizabete disse ainda que indicou algumas famílias para adotar crianças, mas não acompanhou os processos até o final e, até onde sabe, as adoções foram legais. Ela garantiu que nunca procurou famílias, mas disse que foi procurada em sua casa por mulheres que queriam doar os filhos. Segundo ela, é costume no interior da Bahia as mães procurarem outras famílias para doar filhos. Elizabete explicou ainda que as mães não vão à Justiça porque o município não tem um juiz fixo.
A vereadora, que também é técnica em enfermagem de um posto de saúde, declarou que nunca recebeu nenhum centavo por indicar famílias para adoção e garantiu que jamais participaria de uma adoção ilegal porque é evangélica.
Ela afirmou que responde a um processo criminal sob acusação de adoção ilegal, que está em fase de alegações finais. Segundo a vereadora, nenhuma adoção da qual ela participou foi desfeita pela Justiça, inclusive porque nenhuma das mães reclamou o filho de volta.
Elizabete negou ter prometido dinheiro para mães em troca de crianças ou ter aliciado mulheres grávidas, para que doassem seus filhos depois que nascessem. "Não tenho conhecimento desse fato", disse.
Questinada sobre a razão pela qual não incluía as crianças no cadastro nacional de adoção, Elizabete disse que não há cadastro no município de Encruzilhada. Afirmou também que encaminha as mães interessadas em doar filhos e as interessadas na adoção para o Conselho Tutelar do município, onde tem parentes e amigos.
Habeas corpus
A vereadora compareceu à CPI, depois de faltar a três convocações, acompanhada de advogado e munida de habeas corpus que lhe dava o direito de não responder a perguntas que julgasse autoincriminatórias. Mesmo assim, não se recusou a responder às perguntas.
Ela disse que faltou aos depoimentos anteriores porque, na primeira vez que esteve na Câmara, fizeram perguntas a ela sobre assuntos dos quais ela não tinha conhecimento.
Contradições
O presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), disse que a comissão vai analisar os dados relativos à quebra dos sigilos fiscal e bancário da depoente. Para Jordy, ela caiu em diversas contradições, que precisam ser esclarecidas.
Reportagem - Wilson Silveira
Edição - Natalia Doederlein