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Câmara lança campanha de preservação de obras de arte

A campanha “Arte por toda a Casa – este patrimônio também é seu” tem o objetivo de conscientizar servidores e visitantes da importância dos bens culturais

24/08/2012 - 14:15  

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Anjo, de Alfredo Ceschiatti, em bronze dourado. Ao fundo painel de Athos Bucão.
Anjo, de Alfredo Ceschiatti, em bronze dourado. Ao fundo painel de Athos Bulcão. Ambas no Salão Verde.

A Câmara lançou nesta semana uma campanha de preservação dos bens culturais da Casa, formados por pinturas, painéis, esculturas, móveis, livros raros, fotografias, documentos históricos e pela própria arquitetura do Palácio do Congresso. As obras, muitas de artistas renomados, estão espalhadas por todo o edifício. Somente as peças do acervo de museu, como quadros e objetos, somam cerca de 1,4 mil peças, que muitas vezes passam despercebidas por quem circula diariamente pelos corredores da Casa.

Agora, a Coordenação de Preservação de Bens Culturais (Cobec), juntamente com outros órgãos, quer conscientizar servidores efetivos, secretários parlamentares, funcionários terceirizados e visitantes da importância de cuidar desse material. Uma pesquisa feita pela Cobec com 400 entrevistados, entre abril e maio deste ano, constatou que 70% deles não reconheciam o patrimônio cultural da Câmara.

“Esse desconhecimento leva a problemas no manuseio, na limpeza e no transporte dos objetos. Todos são responsáveis pela conservação”, ressaltou a chefe do Serviço de Preservação, Juçara Farias.

Até o fim do ano, será realizada uma série de palestras educativas para os servidores. Também serão distribuídas cartilhas informativas para funcionários e visitantes, que totalizam mais de 200 mil por ano.

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Quadro sem título e sem data, de autoria de Di Cavalcanti
Também no Salão Verde, o visitante pode conferir o mural de Di Cavalcanti "Alegoria de Brasília".

Conduta adequada
A primeira palestra, com a participação de diversos diretores, ocorreu nesta sexta-feira (24). Espectadora do evento, a copeira Sílvia Araújo, 31 anos, já sabe como deve se portar nas proximidades das pinturas que ornamentam as paredes da Secretaria-Geral da Mesa, onde trabalha. Ela não pode, por exemplo, circular com comidas e bebidas perto do acervo. E deve avisar a Cobec, nos telefones (61) 3216-5851/5853, se perceber qualquer anormalidade, como um furo na tela ou a presença de insetos e ratos no local.

“Até então, eu não sabia o que era patrimônio cultural. Para mim, os quadros eram quadros normais, mas sei da importância de cuidar. É melhor preservar do que gastar dinheiro depois para reformar”, disse.

Os funcionários da limpeza, os do setor de obras e os carregadores são os que mais lidam com o acervo da Casa, mas não são os únicos. Jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e turistas muitas vezes utilizam as esculturas do Salão Verde como apoio para uma pose na fotografia ou suporte para os equipamentos de filmagem. Na biblioteca, há os usuários que usam saliva para virar as páginas dos livros, danificando-as.

Atos como esses são uma agressão ao patrimônio, como afirmou na palestra desta sexta o diretor de Relações Públicas da Câmara, Flavio Elias Ferreira Pinto. “Nada mais importante do que contar com quem lida diariamente com esse material. As pessoas não se dão conta do valor deles, tal como quem mora na praia e não percebe a beleza do mar”, declarou.

Em determinados setores da Câmara, os servidores já estão a par dos cuidados com a conservação. É o caso do arquivista Marcos Aurélio de Sousa, 38 anos, funcionário do Centro de Documentação e Informação (Cedi). Um dos responsáveis pelo arquivo da Casa, ele está sempre atento a possíveis ameaças, como um cano mal colocado ou deteriorado que pode estourar e pôr a perder todo o seu trabalho.

Reportagem - Noéli Nobre
Edição – Natalia Doederlein

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