Votação do processo contra Protógenes é adiada para a próxima terça
04/07/2012 - 22:00

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar adiou mais uma vez a votação do parecer do relator, deputado Amauri Teixeira (PT-BA), à representação contra o deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP).
A reunião para votar o relatório chegou a ser iniciada, mas os deputados não puderam votar porque, no Plenário da Câmara, estava em curso a Ordem do Dia no Plenário, e o Regimento Interno da Casa não permite que haja outras votações nesse período.
A votação do caso Protógenes no Conselho de Ética ficou marcada para a próxima terça-feira (11).
A representação foi feita pelo PSDB, que pede a abertura de processo para investigar as relações de Protógenes com Idalberto Matias Araújo, conhecido como Dadá, ex-sargento da Aeronáutica e acusado de ser integrante da organização comandada pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Escutas da Polícia Federal na Operação Monte Carlo flagraram Protógenes em 2011, quando já era deputado, dando orientações a Dadá sobre como proceder como testemunha de um processo aberto pela corregedoria do órgão que investigava a atuação dele como delegado.
Defesa

Em sua defesa, Protógenes lembrou que foi autor do pedido de instalação da CPMI do Cachoeira e que, portanto, seria incoerente atribuir a ele qualquer relação com o esquema. Protógenes argumentou que a aprovação do parecer do deputado Amauri Teixeira, a favor da abertura do processo, já seria sua condenação política.
Delegado da Polícia Federal (PF), Protógenes disse ter conhecido Dadá em 2007, durante um trabalho envolvendo os serviços de inteligência da PF e da Aeronáutica. Segundo ele, na época não havia nada que desabonasse a conduta do ex-sargento.
O parecer do relator pede a abertura de processo disciplinar no Conselho de Ética para o aprofundamento das investigações, por considerar que há fatos consistentes, graves e que requerem apuração imediata.
PSDB
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) defendeu o prosseguimento das investigações. Embora considere que não seja caso para cassação de mandato, ele acha que o conselho pode sugerir uma pena mais leve, como forma de demonstrar que entende como indecorosa a conduta de Protógenes. "Uma medida que poderia demonstrar que nós não compactuamos com o fato de Protógenes, no ano de 2011, como deputado orientar a testemunha como ela deveria proceder em um processo no qual ele é o investigado. Esse é um proceder que nós não temos que entender como natural de um parlamentar. Nós não devemos conceber e vamos adverti-lo ao final."
Saiba mais sobre a CPMI do Cachoeira.
Reportagem - Marise Lugullo
Edição – Regina Céli Assumpção