Política e Administração Pública

CPMI quebra sigilo da Delta e adia votação de convocação de governadores

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi espontaneamente à reunião da CPMI para depor, mas não foi ouvido pelos parlamentares.

29/05/2012 - 20:34  

Jonas Pereira/Agência Senado
Governador de Goiás, Marconi Perillo
Marconi Perillo (C) tentou prestar esclarecimentos à comissão.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira aprovou nesta terça-feira (29) a quebra dos sigilos bancário e fiscal da construtora Delta em todo o País. Na mesma reunião, o colegiado adiou a votação de requerimentos de convocação dos governadores Marconi Perillo (GO), Agnelo Queiroz (DF) e Sérgio Cabral (RJ).

A quebra dos sigilos em âmbito nacional da Delta, entre 1º de janeiro de 2003 e o período atual, ocorreu depois de semanas de embates entre os deputados. O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), argumentava que o foco da investigação, neste momento, deveria ser apenas a filial da empresa na região Centro-Oeste.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), um dos que sempre defendeu a ampliação da quebra do sigilo da empresa, disse que a medida é extremamente importante para acompanhar os recursos da corrupção. "Se eles passavam dinheiro para as empresas fantasmas do Cachoeira, eles sabiam que estavam lavando dinheiro. Esse dinheiro era distribuído por outras empresas fantasmas e sacado em dinheiro vivo para subornos", acrescentou.

Convocação adiada
A decisão de adiar a votação da convocação dos governadores foi motivada por um questionamento feito pelo deputado Gladson Cameli (PP-AC). Ele indagou se não era mais prudente aguardar uma manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de os governadores serem convocados.

“É importante saber se os governadores vão obter liminares no STF para permanecerem calados na CPMI. Estamos criando uma expectativa muito forte na população brasileira e não podemos convocar os governadores sem o compromisso de eles responderem às perguntas”, argumentou.

O presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), anunciou que responderá ao questionamento de Cameli na próxima reunião administrativa da comissão, marcada para terça-feira da semana que vem (5).

Governador de Goiás
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), chegou a ir ao plenário da comissão para depor, mas não conseguiu falar aos parlamentares. O líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), afirmou que a estratégia de seu partido é que Perillo preste esclarecimentos antes de eventualmente ser convocado. O objetivo é “se diferenciar” da postura do PT e do PMDB, legendas dos governadores do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. O PSDB acusa petistas e peemedebistas de tentar “blindar” seus governadores.

Essa estratégia, no entanto, não convence o relator da CPMI, Odair Cunha. “Vir à CPMI faz parte da estratégia de defesa do governador [Perillo] e ouvi-lo depois, [faz parte da estratégia] da investigação”, afirmou.

Cunha tentou votar requerimento de quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de Perillo, mas o início da Ordem do Dia no Senado impediu que a CPMI votasse novos requerimentos. Com isso, esse item voltará à pauta na reunião desta quarta-feira (30).

Questionado sobre a quebra de sigilo dos outros governadores, o relator disse que é preciso “individualizar” a investigação e começar por Perillo, que teria mais indícios de envolvimento com a organização de Carlinhos Cachoeira.

“A organização criminosa atuou a partir de uma base territorial muito específica, com agentes públicos específicos, e isso tem a ver com o governo de Goiás, com o governo do Distrito Federal. Nós vamos a cada tempo produzindo uma investigação que compreenda bem as pessoas que têm prerrogativa de foro e foram cooptadas pela organização”, disse.

Apesar de incluir o governo do DF na lista, Odair Cunha não incluiu na lista dos requerimentos a quebra de sigilo de Agnelo Queiroz. Segundo a assessoria do deputado, ele estava se referindo a assessores de Agnelo que foram relacionados à organização pelas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que motivaram a criação da CPMI.

Perillo afirmou que não há nenhum envolvimento de Cachoeira ou de sua organização no governo do estado, que tomou todas as medidas necessárias para combater os jogos clandestinos e que os contratos da Delta com o estado são “pequenos”.

Vice-presidente
A CPMI elegeu nesta terça-feira o deputado Pauto Teixeira (PT-SP) para a vice-presidência. Nesta quarta, além de votar requerimentos apresentados pelo relator, a comissão vai ouvir o ex-gerente da Delta Centro-Oeste Cláudio Abreu e quatro acusados de trabalhar com o contraventor Carlinhos Cachoeira: José Olímpio de Queiroga Neto, Gleyb Ferreira da Cruz, Lenine Araújo de Souza e Jayme Eduardo Rincón.

Saiba mais sobre a CPMI do Cachoeira.

Reportagem – Rodrigo Bittar
Edição – Pierre Triboli

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