Saúde

Conselho de Medicina: há tolerância com hospitais públicos e rigor com os privados

24/04/2012 - 16:54  

O representante do Conselho Federal de Medicina (CFM), Emmanoel Cavalcanti, afirmou há pouco que, em termos de fiscalização, existe uma tolerância com os serviços prestados pelos hospitais públicos e uma exigência exagerada em relação à iniciativa privada. Emmanoel participa de audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família que debate as regras para a fiscalização da rede privada de saúde.

Segundo ele, o Brasil tem um viés para atender a assistência à saúde que não leva em conta os doentes e as doenças. Segundo ele, são considerados dados estatísticos como a redução das mortes de crianças, mas não se leva em conta o número de pessoas que morrem por falta de atendimento nos hospitais.

Ele falou que, atualmente, é muito difícil o paciente encontrar um centro cirúrgico disponível mesmo aquele que tem um plano de saúde. Segundo ele, muitas pessoas vão para a fila à espera de uma oportunidade para fazer a cirurgia de que necessita.

Declaração polêmica
A declaração de Emmanoel de que “é natural que haja morte de adolescente e adultos nos hospitais” foi contestada pelo ex-deputado Flávio Dino, atual presidente da Empresa Brasileira de Turismo. Em 14 de fevereiro deste ano, faleceu o filho do ex-deputado, Marcelo Dino, que foi internado em um hospital privado de Brasília vítima de uma crise aguda de asma. No dia em que receberia alta do hospital, Marcelo passou mal e morreu.

Flávio Dino reagiu e disse que “morre-se nos hospitais, mas também mata-se nos hospitais”. O ex-deptuado ressaltou que seu filho “foi assassinado em um hospital privado da capital do País". Dino também afirmou que, quando ocorre um erro médico, o profissional geralmente é penalizado, “mas o sistema de saúde continua o mesmo, com os mesmos problemas” .

Em resposta ao ex-deputado, Emmanoel disse ter sido mal interpretado, pois o que ele de fato quis dizer foi que “morrer faz parte da vida”. Ele destacou que “não se pode impedir a morte quando ela é inevitável”. Afirmou ainda que não quis dizer que a morte deva ser banalizada.

Má distribuição
Segundo Emmanoel, nos últimos 30 anos, a qualidade do ensino médico nas faculdades caiu. Há estimativas de que o Brasil vá formar 20 mil médicos nos próximos anos, sendo que atualmente existem 370 mil médicos mal distribuídos pelo País.

De acordo com o representante do Conselho Federal de Medicina, há ausência de politicas públicas que coloquem os médicos onde há deficiência de assistência à saúde.

Reportagem - Renata Tôrres/Rádio Câmara
Edição - Newton Araújo

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